domingo, janeiro 26, 2014
Troca a Conversa
Parece quase como aquela expressão "o feitiço virou-se contra a feiticeira". Andei a camuflar, a camuflar, em camadas e mais camadas, não fosse eu a parente mais próxima do ogre e eis que agora, é-me difícil ser eu a descodificar. Códigos, códigos e mais! Vinde a mim, de Marte, de Vénus, ou de uma Terra qualquer. Pronto, já barafustei, portanto, deixa-me gravar na mente mais um apelo à sabedoria e logo a seguir pintar a minha mão que te abre uma janela custosa mas poderosa, cujo poder só se é ganho pelo tempo em que se sobreviveu. Antes que passe mais uma charrete imaginária no mundo dos jogos aldeões, hei de olhar para a montanha e fitá-la! Danada, pôs-se a trocar correspondência com uma ilha armada em península! Queria ela ter as amarras que me soltaram, embora ninguém queira um espaço de tempo sem limites de sobrevivência. Canta-se lá fora. Aves que desconheço. Houve alguém que as contou em tempos, não estas, mas umas que piavam estrangeiro. Quero-te de olhos bem abertos, ou não. Rebola a menina-do-olho, que aprendo e escrevo pela primeira vez. Antes todas as praias sejam todas tuas, virgens, assim como os barcos que descansam na areia enquanto vens a correr comprar o sêlo, porque não podia passar tempo despropositado. E ainda estranhavam quando me grunhiam e eu quase lhes berrava... realmente, há que se perder numa cousa qualquer... passados, pretéritos, reconheço-os, analiso-os, mas só servem para fazer conversa. Conversemos, então, que o Sol está a pôr-se e eu gosto.
O que estou a pensar
Estou a pensar que há quem se tenha ao egoísmo e tenha feito dele uma condição de vida. Está bem, necessitamos da sobrevivência, da independência, mas acima de tudo e mais do que a tolerância, precisamos de compreensão e respeito. E, por favor, não me façam de parva, porque eu considero-me uma pessoa inteligente com a capacidade de me auto-motivar, mas não aguento tudo, porque não quero!
quarta-feira, janeiro 22, 2014
Do Sonho
Há sempre uma "ela para um ele interessante". Foi isto que vim cá dizer hoje. Eu já suspeitava. Nunca há um "eu". Bem, chega de aspas e de pronomes, que a "merda" é a mesma. Tudo é um costume generalizado e estúpido. Agora, estou para aqui escorregada. Empato-me entre casas a preços exorbitantes, burocracias incapazes e viagens de comboio, tantas que já me esqueci como era aquela ideia na névoa. Sinto tanto a falta daquele degredo de além que não me voltou a comentar o espaço, que não voltou a preencher-me de mensagens, que de facto eram cartas. Onde entrego os beijos que devo?! Misturo homens, ideias, seres, porque depois ainda me consigo surpreender. Eles têem-se em comum sem saber que eu sei que lhes pertenço. Sou mais do que o que mim acarreta, mas indefinida me sinto. E, quanto um terceiro se quer encontrar, eu procurei perder-me. Foi por isso que não resultou. Nada resulta. E, à noite, sou só eu e a cidade, que alguém chamou de capital.
Pedras
E os seus movimentos quase me arrepiavam. Como tanto lento como saboroso era aquele estático de presença. Goataria de descontrolar por poder ter nas minhas mãos o cajado da não solidão. Um dom, uma presença, uma coisa qualquer que se fosse construir entre montanhas que edificam furacões. Saíste para chamar alguém e claro que não era eu. Não vale a pena apresentar um conjunto sem futuro. Melhor encarar o aglomerado sem esperança. Preciso de mais pedras para poder fazer o caminho em cima do rio.
terça-feira, janeiro 21, 2014
O teu olhar
Ainda me lembro do teu olhar...
E quando menos espero, penso em ti...uma sensação estranha toma conta de mim,olho em volta mas nada vejo, de ti nada resta, somente o teu olhar que trago na memória...
Nem sei se sinto que alguém está no meu lugar a teu lado não sei se não me Conformo com isso ou se por e simplesmente é o teu olhar e o teu sorriso que não me sai da memoria...
segunda-feira, janeiro 20, 2014
Neste silêncio
Neste silêncio em que me deito
as palavras têm outro sentido:
não as ouvirás.
Um dia, encontro-te,
omnipresente e paralelo
ao meu sentir.
Jamais te poderei ouvir.
Este é o silêncio em que me deito.
domingo, janeiro 19, 2014
Era Uma Vez....
Teria apenas 16 anos quando julguei ter encontrado o dito Príncipe...
Seria assim e com um ponto final se não existissem várias consequências pelo facto de o ter encontrado.Nunca achei que a vida desse efectivamente tantas voltas e que ao dar essas mesmas voltas viessemos parar precisamente no Ponto em que ficamos...
Fitava aquele amor inocente de forma como se o amanhã fosse um dia longe de nós,aquele era efectivamente a metade que faltava depois de tantas derrotas pessoais e familiares,orgulhava-me de te-lo como namorado mesmo que fosse um namoro adolescente eu olhava-o como a unica pessoa capaz de seguir o meu rasto sem perguntar nada,apenas ia e iluminava cada passo que eu dava.
Viviamos em mundos completamente distintos, mas para mim eram apenas formas de estar na vida... diferentes...Ele de uma familia funcional eu de uma disfuncional, a separação dos pais são sempre momentos de mudanças eu estava num tempo de mudança...
Não tinha segredos escondidos no dedos e sabia bem respira-lo,ele era efectivamente a pouca luz que eu precisava num momento tão sombrio...Procurei conforto nas pessoas erradas, procurei nessas mesmas pessoas a falta que sentia de ter a minha familia junta,procurei nessas pessoas o carinho que pensei que me podiam dar,procurei a amizade a lealdade e sinceridade a mesma lealdade e sinceridade que tinha para com elas...chorei,ri e sofri em cada ombro de uma delas e dei-lhes os meus para chorarem...Tornaram-se pessoas tão especiais que por vezes pensava como poderia eu pagar um dia toda aquela dedicação que tinham para comigo...A divida seria enorme mas tinha a certeza que uma dia saberia contornar todos os obstáculos e que quando fosse a altura de chegar à meta iria certamente entregar a vitória a elas por não terem desistido nunca de mim...(A vitória foi delas sem duvida porque souberam planear bem a minha derrota)...
Estudaram cada palavra, elaboraram uma lista de fantasmas que sobrevoaram a minha sombra...Fizeram com que seguisse um caminho sem mapa e sem olhar para tras....Procurei a estrada do futuro sem trazer nada daquele presente comigo,acreditei que o caminho a seguir seria aquele, sem que tivesse de sofrer tambem por Humilhação...Pior que a humilhação foi o abandono dessas pessoas que me deixaram numa situação de solidão absoluta...Mataram-me naquele dia...No dia que me tiraram tudo o que era importante para mim...Morri para elas também...
Sofri em silêncio com medo e vergonha,chorei cada palavra e lambi cada lágrima, senti que o mundo encantado não era para mim,nunca me poderia tornar uma princesa porque fizeram de mim a Gata Borralheira sem que eu percebesse...Estava sózinha...Completamente sózinha e a unica luz que me iluminava tinha se apagado para mim...Amaldicionaram aquele amor!!
Acreditei que por culpa dele parti sem rumo...acreditei que todas as voltas que desse me levariam a ele...A decisão foi dizer-lhe adeus em silencio e partir...
Durante anos guardei a imagem dele em mim, guardei o sorriso o olhar o cheiro e tentei fazer com que a minha derrota forçada valesse para que aquele presente ditasse o meu futuro...
A vida é como o mar...tudo o que o mar leva devolve seja da maneira que fôr mas devolve...Assim é a vida..Por mais mentiras que nos digam ou por muitas maldades que nos façam a vida faz o favor de nos trazer a verdade e as maldades ficam para quem as praticou...
O sabor da vitória que muitos optaram por ter ainda que eu queira acreditar que por mera infantilidade fez com que a minha derrota me tornasse uma mulher com a garra e a força que faz de mim uma pessoa melhor...Será que terei de lhes agradecer por isso?!
Terei de agradecer que consegui por mérito cada passo que dei cada lagrima que chorei cada dor, cada momento, todas as vitórias que conquistei todos os momentos bons que encontrei e nunca mais confiar que ninguem se aproxima de ninguem com intuito de ajudar quando estamos mal mas sim tirar-nos a unica coisa boa que nos resta...Se efectivamente tiver de agradecer então aqui vai o Meu Obrigado!
A vida fez com que o meu caminho se cruzasse novamente com o passado e com esse passado veio tambem aquela luz que se apagou um dia sem nunca saber porquê...
Senti que os anos passaram tão rápido que parece que foi ontem...
O ombro que chorei a familia que considerei sempre que lhes devia gratidão por tudo...inclusive terem tido a capacidade de me fazer ver o que eu jamais poderia ver, pensar ou sentir...Tudo Falso!!
Riscaram o meu nome da página em branco onde se estava a iniciar uma história...riscaram-me da vida delas, roubaram-me a luz e mantiveram-me ás escuras sem que eu percebesse que afinal tudo não passava de uma farsa..uma amizade cruel...Afinal tudo porque a inveja é um dos 7 pecados mortais...
O tempo é o que temos de melhor...pois traz-nos sabedoria,capacidade de perdoar os erros dos outros,aprender com eles e principalmente não cometermos o mesmo erro duas vezes...
Compreendo agora que nenhum entendeu, por isso..e muito por mais peço-te Perdão!!
Não fostes tu...nem por ti que parti...fui eu que não tive capacidade de chorar no teu ombro no momento certo, fui eu que parti e sem te dizer Adeus...
Perdoa-me!!
Seria assim e com um ponto final se não existissem várias consequências pelo facto de o ter encontrado.Nunca achei que a vida desse efectivamente tantas voltas e que ao dar essas mesmas voltas viessemos parar precisamente no Ponto em que ficamos...
Fitava aquele amor inocente de forma como se o amanhã fosse um dia longe de nós,aquele era efectivamente a metade que faltava depois de tantas derrotas pessoais e familiares,orgulhava-me de te-lo como namorado mesmo que fosse um namoro adolescente eu olhava-o como a unica pessoa capaz de seguir o meu rasto sem perguntar nada,apenas ia e iluminava cada passo que eu dava.
Viviamos em mundos completamente distintos, mas para mim eram apenas formas de estar na vida... diferentes...Ele de uma familia funcional eu de uma disfuncional, a separação dos pais são sempre momentos de mudanças eu estava num tempo de mudança...
Não tinha segredos escondidos no dedos e sabia bem respira-lo,ele era efectivamente a pouca luz que eu precisava num momento tão sombrio...Procurei conforto nas pessoas erradas, procurei nessas mesmas pessoas a falta que sentia de ter a minha familia junta,procurei nessas pessoas o carinho que pensei que me podiam dar,procurei a amizade a lealdade e sinceridade a mesma lealdade e sinceridade que tinha para com elas...chorei,ri e sofri em cada ombro de uma delas e dei-lhes os meus para chorarem...Tornaram-se pessoas tão especiais que por vezes pensava como poderia eu pagar um dia toda aquela dedicação que tinham para comigo...A divida seria enorme mas tinha a certeza que uma dia saberia contornar todos os obstáculos e que quando fosse a altura de chegar à meta iria certamente entregar a vitória a elas por não terem desistido nunca de mim...(A vitória foi delas sem duvida porque souberam planear bem a minha derrota)...
Estudaram cada palavra, elaboraram uma lista de fantasmas que sobrevoaram a minha sombra...Fizeram com que seguisse um caminho sem mapa e sem olhar para tras....Procurei a estrada do futuro sem trazer nada daquele presente comigo,acreditei que o caminho a seguir seria aquele, sem que tivesse de sofrer tambem por Humilhação...Pior que a humilhação foi o abandono dessas pessoas que me deixaram numa situação de solidão absoluta...Mataram-me naquele dia...No dia que me tiraram tudo o que era importante para mim...Morri para elas também...
Sofri em silêncio com medo e vergonha,chorei cada palavra e lambi cada lágrima, senti que o mundo encantado não era para mim,nunca me poderia tornar uma princesa porque fizeram de mim a Gata Borralheira sem que eu percebesse...Estava sózinha...Completamente sózinha e a unica luz que me iluminava tinha se apagado para mim...Amaldicionaram aquele amor!!
Acreditei que por culpa dele parti sem rumo...acreditei que todas as voltas que desse me levariam a ele...A decisão foi dizer-lhe adeus em silencio e partir...
Durante anos guardei a imagem dele em mim, guardei o sorriso o olhar o cheiro e tentei fazer com que a minha derrota forçada valesse para que aquele presente ditasse o meu futuro...
A vida é como o mar...tudo o que o mar leva devolve seja da maneira que fôr mas devolve...Assim é a vida..Por mais mentiras que nos digam ou por muitas maldades que nos façam a vida faz o favor de nos trazer a verdade e as maldades ficam para quem as praticou...
O sabor da vitória que muitos optaram por ter ainda que eu queira acreditar que por mera infantilidade fez com que a minha derrota me tornasse uma mulher com a garra e a força que faz de mim uma pessoa melhor...Será que terei de lhes agradecer por isso?!
Terei de agradecer que consegui por mérito cada passo que dei cada lagrima que chorei cada dor, cada momento, todas as vitórias que conquistei todos os momentos bons que encontrei e nunca mais confiar que ninguem se aproxima de ninguem com intuito de ajudar quando estamos mal mas sim tirar-nos a unica coisa boa que nos resta...Se efectivamente tiver de agradecer então aqui vai o Meu Obrigado!
A vida fez com que o meu caminho se cruzasse novamente com o passado e com esse passado veio tambem aquela luz que se apagou um dia sem nunca saber porquê...
Senti que os anos passaram tão rápido que parece que foi ontem...
O ombro que chorei a familia que considerei sempre que lhes devia gratidão por tudo...inclusive terem tido a capacidade de me fazer ver o que eu jamais poderia ver, pensar ou sentir...Tudo Falso!!
Riscaram o meu nome da página em branco onde se estava a iniciar uma história...riscaram-me da vida delas, roubaram-me a luz e mantiveram-me ás escuras sem que eu percebesse que afinal tudo não passava de uma farsa..uma amizade cruel...Afinal tudo porque a inveja é um dos 7 pecados mortais...
O tempo é o que temos de melhor...pois traz-nos sabedoria,capacidade de perdoar os erros dos outros,aprender com eles e principalmente não cometermos o mesmo erro duas vezes...
Compreendo agora que nenhum entendeu, por isso..e muito por mais peço-te Perdão!!
Não fostes tu...nem por ti que parti...fui eu que não tive capacidade de chorar no teu ombro no momento certo, fui eu que parti e sem te dizer Adeus...
Perdoa-me!!
quinta-feira, janeiro 16, 2014
Para lá das Estrelas
Encosto-me, na noite, aos vidros da janela do quarto. As estrelas brilham no céu. Colo-lhes o meu olhar e fixo uma em especial. A minha. É uma estrela no meio das outras estrelas, mas mais solitária. Como eu. Sozinha no meio da multidão.
Quem sabe se a uma qualquer outra janela haverá alguém a olhá-la como eu… aquele por quem o meu coração espera? Suspiro. Como será e onde estará essa alma-gémea que me será um dia? Não sei. Mas espero. Espero, demorando-me num gesto obtuso, que risco no vidro embaciado da janela, a arremedar o silêncio…
Estrelinha, brilha para lá do meu querer e ilumina aquele que atrairás com a tua intensidade a olhar-te; para depois o seu olhar seguir o caminho do teu raio de luz, até chegar aqui. A mim.
Sim, imagino que para lá do meu olhar, poderá haver outro olhar cativo da mesma estrela. Quero imaginar que há. Imagino que há. Como a imaginação tem poder!
A imaginação há-de ser sempre o meu limite… para lá das estrelas.
quarta-feira, janeiro 15, 2014
Sem Mentira
Soturnas vozes ecoam em mim,
porque o destino me atraiçoa
e eu quero somente partir…
Sufoco num país sem fim,
no meio de organizações à toa,
que só protelam o seu porvir.
Luto como sempre lutei,
por tudo o que quero conquistar,
e estou cansada de tanta refrega…
Valeu a pena tanto que dei,
não me arrependo de tanto amar,
porque sou feliz em cada entrega…
Enquanto espero o teu sinal,
tento manter vivo o coração
para que não se apague de vez.
Que terei feito de tanto mal
para sofrer tanta incompreensão...
O que em mim afinal tu vês?
Não, não é racismo!
Hoje, está na moda dizer que o capital não tem pátria, nem cor, raça ou credo, porque aquilo que move qualquer empresário ou gestor é sempre a maximização do lucro. Por isso, dizem os modernos, tanto faz ser chinês, francês, norte-americano, angolano, espanhol, ou português, querem todos o mesmo: investir dinheiro para conseguir mais dinheiro. E nesta espécie de ciclo virtuoso ganhamos todos.
Ora eu, antiquada me confesso. Fico triste com o facto de o cinema Londres deixar de existir para ser transformado numa loja de chineses, motivo de levantamento nacional no Facebook, mas fico muito mais preocupada com a venda de um terço do mercado segurador português a um grupo chinês.
Podem recuar já os que desatam a chamar racistas aos outros, que discordam desta lógica liberal, que nunca nenhum governo encarnou tão bem em Portugal. Não se trata de nada tão simples, deem-me o benefício da dúvida e não me julguem tão básica.
É que, para mim, a venda de uma empresa a outra não é a mera troca de capital corpóreo por capital incorpóreo. A convicção de que a nacionalidade do capital não interessa é ignorar a importância do poder e de outros fatores que influenciam os negócios, como questões culturais e geo-políticas.
Os negócios não são feitos apenas de decisões económico-financeiras, os gestores não são máquinas, independentes do mundo que os rodeia, programados apenas para lucrar. Aliás, a própria lógica do lucro é redutora, é curta, é de curto prazo.
Se na Suécia ninguém teme, para já, a perda do centro de competências da Volvo, entretanto adquirida pela chinesa Geely, devido à elevada qualificação dos trabalhadores daquele construtor automóvel, o mesmo não se pode dizer sobre outros negócios em outros países. A francesa Danone, por exemplo, já se desfez de várias fábricas na Europa.
domingo, janeiro 12, 2014
Num despertar de música, assim fiquei eu, tão nua de preconceitos, que eu própria me vislumbrava num momento muito próximo dentro do nosso futuro. Abrangias-me o abraço dentro do teu abraço como se já não faltasse mais nada para ser plena a realização da imagem. Entretanto, os cheiros misturavam-se e os corpos contorciam-se. Contei-te ao ouvido que já pensava em escrever descrevendo, mas ainda não o tinha feito e para te provar que as minhas palavras nao sobrevivem de tristezas, aqui te beijo, aqui te quero.
Pronome
Numa noite destas, uma qualquer, o Calor despiu-me e divertiu-se observando a minha pele cada vez mais gasta pelo luar... Entretanto, a brisa chegou e assim me tapou, como se tapam as vergonhas de tempos passados. Gostaria de usar a palavra nós. Ousá-la mesmo, proferida pelos teus lábios, com a minha boca. Os nós da gaganta adensam-se e sonho com o pronome tão pessoal, tão plural, como aquela música que bailei sem preconceitos. Está bem, cortemos o silêncio com o arfar da nossa respiração suprimida num sonoro resplandecer, numa coisa qualquer que me faça renascer e seja um deleite como nas palavras.
Secreto
Tu ainda não sabes, ninguém sabe, nem eu sequer quero ter essa informação, mas de vez enquando lá me apareces num pensamento qualquer. Inexplicável. És um silêncio a andar de mota enquanto uma guitarra lambe as asas de um sonho. És um negro saboroso, enquanto nos tornamos numa noite cúmplice. És beijo saboreado por entre torres e portões. És letra para a minha canção, enquanto brota a chuva de baixo para cima, como se quisesses ser cúmplice do rio. Obrigada pela partilha, por elas, que se tornaram com aquela naturalidade, que és tu.
(Em segredo.)
Ainda que eu soubesse que não valeria a pena escrever a branco, fui, acreditando, manhã fora, mas no meio de Energúmenos que não franziam o olhar com exatidão, encontrei-me sentada numa cadeira vermelha, onde perdia meia hora dada sem ser oferecida. Será que haverá ainda humanos por aí?! No final, haja quem ainda se lembram de me cortar o dia com exatidão para que a rotina se esvaia. Então, quis lembrar-me um pouco do sonho de uma noite de sexta entre o abismo de um beijo passado e uma dança com o homem que não quero meu. Estranho seria ficar parada à chuva, quando ela não me mostrou mais do que sons e palavras, toques e sumos de ser. E, por isso, fomos uma só, eu e a cidade. Então, ela mostrou-me que ninguém irá reparar em mim. Somos uma só, onde figuro só porque sim. Chego a casa, choro. Parto para o vazio, preenchendo-o com vasta atenção, vaga recuperação, até que tenho a prova que mesmo que não fale, algo terá mesmo que acontecer só para que não me chegue o dito, o cujo.
quarta-feira, janeiro 01, 2014
A Queixa
Lamentar aquilo que não temos é desperdiçar aquilo que possuímos, afirma um antigo provérbio chinês, lembrando que esta máxima é válida para situações ou coisas, sentimentos ou posições sociais.
O problema da queixa é que ela vai construindo uma personalidade naquele que usa da lamentação, como uma máscara sobre sua postura natural.
Com o passar do tempo se permanecemos fazendo uso da queixa, ela é incorporada pela nossa postura natural que passa a ser queixosa.
Uma vez que absorvemos a lamentação em nosso patrimônio comportamental ela, a queixa, começa a se exteriorizar através de nossos pensamentos e nossas palavras, passando assim a ser nossa característica pessoal, nossa marca.
Este processo é perigoso pelo fato de que muitas vezes ele ocorre de maneira inconsciente, por automatismo. Reclamamos seguidas vezes, independente de termos razão ou não, e o que inicialmente é uma escolha ou um ato involuntário, torna-se um hábito.
Desde a antiguidade, Sócrates asseverava de que somos escravos do hábito pelo fato de que ficamos presos àquilo que fazemos repetidas vezes.
Por este fato, constantemente, aquele que reclama da vida ou das situações impostas por ela, não percebe que age assim pois reclamar passa a ser uma segunda natureza do indivíduo.
Geralmente quando alguém diz a outra pessoa que ela reclama muito, que queixar-se passou a ser comum nas suas expressões, ela assusta-se crendo ser absurda tal situação.
A reclamação é sempre uma surpresa àquele que a possui e que acabou por condicionar-se a ela.
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