Sinto permanentemente essa necessidade. Mas talvez seja impossível encontrar outras formas de o fazer. Queria escrever. Queria deixar escorrer pelos dedos palavras que traduzissem este muito, este tanto. Depois apercebebo-me qua as palavras são pouco perante o que me trepa no peito e se aloja algures entre o coração e a alma. Essas palavras não são nada. Estão gastas, amarelecidas pelo tanto que as repito. As palavras são as mesmas. E eu nasço outra sempre que o que sinto me sufoca os sentidos. Nasço em mim como cada onda que se insurge do âmago do oceano.
segunda-feira, maio 31, 2010
domingo, maio 30, 2010
Território
Vou pedir-te o que nunca pedi.
Vou dizer-te o que nunca disse.
Vou fazer-te o que nunca fiz.
Vou querer-te como nunca quis.
Vou ter-te como nunca tive.
Vou...
passear os meus dedos entre os teus cabelos.
dedilhar-te os lábios uma e outra vez, até não poderes mais, até desejares mais...
dar-me, dando-me, doendo-me, querendo(-te).
Vais...
fazer-te rei de terras incultas, desprovidas de ser, mas com sabor.
aqui, aqui ter-me, fazer-me, amar-me.
apertar, apertar-me entre os teus braços déspotas, esse desejo imperioso de me ter, querer-me, possuir-me.
Terei...
de gritar, pedir-te mais, que pares, que recomeces, agora, agora...!
de perguntar à realidade se é uma dobra no presente ou uma visão do futuro, de um futuro, teu.
de ser tudo, para ti, por ti, fazendo-te senhor, dono.
Quero...
agora, a ti, aqui, vem, cobre-me os olhos de sorrisos desejados.
beijos desprovidos de consciência, permanência sofredora em minha pele quente, quente.
sentir-te sobre mim, em mim, à minha volta, dentro de mim, sempre, sempre...
Vem...
não demores, não esperes, não penses.
escolher, escolher-me para (te) ser.
Espero(-te).
sábado, maio 29, 2010
Loucura não é
Desenho,
Em dobras da minha mente, um voltar do passado em alguém do presente.
Canto,
Em surdina silenciosa, o calor do respirar do teu peito encostado a mim,
como amantes incautos escondidos, apartados de uma realidade que se
lhes mostra mais devoradora que a fome eterna, que trago em mim, de ti.
Imagino,
Um sol que teima em alvitrar-me todos os dias, mais um, que comigo não
estás nem queres ser, como se fossemos unos, indivisos.
Desejo,
Como um sistema redutor, redentor, de lágrimas salgadas perdidas entre
as frestas de um amor de outrora sentido como salvação de almas ignóbeis
agora de luto, uma luta contra o esquecimento.
Possuo,
Em mim, mais poder que força.
Força caracteriza o fraco, poder caracteriza o espírito.
Procuro,
Viveza, em sorrisos descobertos pela primeira vez, como se familiares fossem,
sugerindo partilha de algo mais que meio olhar deitado pelo canto, soçobrado
na linha de um lábio, na curva de um quadril.
Deito,
Em sedas quentes, ansiosas pelo meu sossego das horas perdidas, encontradas
nos teus braços, aquecidas pelos teus lábios, embriagadas pelo teu cheiro.
Tenho,
Em mim, mais do que quero, uma e outra e outra, e todas anseiam por ti.
Talvez seja demência, mas loucura não é.
Prazer oco
Deitada na cama olho para o armário com uma porta mal
fechada. Lá dentro, pendurado, um cabide vazio.
E penso o quanto eu sou aquele cabide.
Vazia, à espera que me envolvam. Não com roupa.
A envolvência que me faz falta, e pela qual me mantenho
aqui deitada, é a tua.
Lanço um último olhar ao armário e fecho os olhos.
Pouco depois sinto o teu corpo quedar-se a meu lado, sem
peso, áureo.
Temo abrir os olhos, então não o faço.
Encosto-me a ti e o choque percorre o meu corpo.
Electrizante.
Electrizas-me.
Entrelaço a minha perna na tua, desnudas.
A minha mão (per)corre-te o peito, despidos.
Encosto a minha face à linha do teu queixo, numa ânsia
animal de te retirar todo e qualquer cheiro, guardá-lo
para mim, só para mim.
Esse cheiro que não consigo decifrar.
Às vezes forte, sinto-te o odor a carvalhos, ciprestes e
salgueiros, quando te tornas imponente e me tomas nos
teus braços, com uma força desmedida, como eu quero,
sem pedires perdão.
Outras tantas trazes contigo o perfume das flores das
amendoeiras, doces, níveas, quando me segredas ao
ouvido como te curo dos demónios que te atormentam.
Mas hoje trazes o cheiro das laranjeiras floridas. Sabes
como gosto, e ao passares por elas quando entraste pelo
portão do quintal, não resististe a tocar-lhes e trazê-las
até aos meus sentidos.
Cheiro-te, inspiro profundamente.
Carregas em ti o cheiro da rua, o cheiro que o vento te
deposita e te marca ao beijar-te a pele, a tua pele,
que é tão minha.
Cheiro-te e tento guardá-lo para memória futura, para
quando tiveres partido novamente.
Beijo-te o queixo e desço até ao pescoço.
Sinto-te a pele do peito eriçada, um arrepio, e um suspirar
mal contido. Expeles o ar com ganas de quem não o precisa,
fazes pouco dele, tens-me a mim, respiras através de mim.
Beijo-te a pele queimada pelo sol, vivida de dores, perdida
de amores.
Brinco com uma mexa do teu cabelo, rodopio-o entre os
meus dedos e sem nunca abrir os olhos sinto a te(n)são que
te percorre cada recanto do teu ser, mais que físico.
A mão, outrora no teu desejoso peito, desceu, desceu...
Desceu perigosamente.
A perna continua entrelaçada na tua, apertada com força,
num apetite recaído acima das minhas coxas,
pouco acima das minhas coxas...
Então o teu cheiro muda, assim que, na eminência de um
pico de êxtase mortal, giras o teu corpo sobre si mesmo e
me apertas com a tal força mal calculada.
"Descontrola-te", peço-te baixinho, quase num sussurro,
"Descontrola-te, descontrola-me, anda!"
Sem pedir licença nem esperar nova ordem, afastas-me as
pernas com o joelho.
Cobres-me com o teu corpo, a tua pele torna-se extensão
da minha, enquanto te fazes convidado do meu corpo.
Violentamente adocicado, és.
Irremediavelmente perdida por ti, sou.
Peço-te que o digas, "Quero que o digas, diz!"
Entre um balanço e outro a tua boca abre-se para meia dúzia
de palavras apenas "Dás-me uma tesão louca, minha doida..."
Na loucura de assistir ao prazer passar-te pelo rosto,
abro os olhos.
Em vez da tua face o que encontro é a porta do armário
entreaberta e o cabide ainda vazio.
Dou-me conta da minha pesada respiração e acordo do
pensamento inconsciente em que havia mergulhado.
As minhas mãos... uma aperta, de forma dolorosa, várias
madeixas dos meus rebeldes e fartos caracóis.
A outra perdeu-se, entre calores e humidade, acima das coxas...
muito pouco acima da linha das coxas...
Na ponta dos d.e.d.o.s
Porque, de cada vez que contigo quero estar,
os meus pensamentos galgam os limites da imaginação.
Sinto, em comprimento deitada,
a tua língua apoderar-se da minha pele.
Depositas nela sal de suor, doce de tesão.
Lambes nela a tabuada dos 9, sem pressa,
como quem a aprende pela primeira vez,
contas pelos dedos cada arrepio da minha alma.
Declamas-lhe odes,
como quem se vai descobrindo num livro sagrado,
enquanto me desfolhas.
Vem, dá-me com a alma, pois o teu corpo,
há muito me pertence.
Anda, alimenta-te de mim, mato-te essa fome,
inevitavelmente, insaciável.
Em ângulos perigosamente excitantes,
limas-me arestas, descobres (en)cantos,
cobres-me com suaves mantos.
Escurecemos em danças puras, por fim,
num acto que nada mais é que a continuidade
de algo que sempre existirá.
Aqui.
Me tens.
sexta-feira, maio 28, 2010
Da saudade e outros demónios.
saudade s.f. melancolia causada pela lembrança de um bem de que se está privado; mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou acções; pesar; nostalgia (...) ( Do lat. solitate, «solidão»).
A saudade é bem mais complexa do que aquilo que pode ler-se no dicionário. A saudade não é necessariamente ausência. Porque, não raras vezes, chega ainda antes da despedida. Porque se pode ter saudade daquilo que nunca se teve. Porque a saudade aparece quando ansiamos por aquilo que está por vir. Porque a saudade é um estado. Chega quando quer. Enlaça o coração num abraço que se vai apertando cada vez mais e deixa como resquício um batimento pausado e quase inaudível. Nada diz. Vai ficando.
Às vezes, até quase se esquece que ela está ali...
quando a única coisa que vem quebrar a quietude deste silêncio quente e confortável é o chilreado agonizante, lá longe, de um pássaro a quem partiram as asas.
domingo, maio 23, 2010
Só... por esta noite.
Só por esta noite...
Adormeço-me nos teus olhos.
Deixo que me embales os medos e me rasgues as fragilidades.
Só por esta noite...
Permitirei que me digas que me queres sempre e eternamente
Mesmo que eu conheça a dor de saber que tudo é finito
Só por esta noite...
Não penso em nada.
Não me despeço enquanto dormes nos lençóis de um quarto que nem reconheço.
Só por esta noite...
Não te dou um último beijo.
Saio em bicos de pés.
Fecho a porta de mansinho
Com medo que o bater da mesma ecoe na minha alma.
Só por esta noite.
Não olho para trás.
Haverão outras noites.
Haverão outros lábios.
Haverá outro corpo suado em meu corpo.
Haverá.
Haverão.
Outra noite.
Outras memórias.
Só por esta noite...
Adormeço-me nos teus olhos.
Deixo que me embales os medos e me rasgues as fragilidades.
Só por esta noite...
Permitirei que me digas que me queres sempre e eternamente
Mesmo que eu conheça a dor de saber que tudo é finito
Só por esta noite...
Não penso em nada.
Não me despeço enquanto dormes nos lençóis de um quarto que nem reconheço.
Só por esta noite...
Não te dou um último beijo.
Saio em bicos de pés.
Fecho a porta de mansinho
Com medo que o bater da mesma ecoe na minha alma.
Só por esta noite.
Não olho para trás.
Haverão outras noites.
Haverão outros lábios.
Haverá outro corpo suado em meu corpo.
Haverá.
Haverão.
Outra noite.
Outras memórias.
Regresso
Voltas.
Como voltas sempre, amor. Fitas-me, cansado, os olhos obscurecidos e pouco crentes.
Abraças-me o corpo, absorves os espaços que são teus. Murmuras-me ao ouvido palavras sem sentido. Tens febre.
Pressinto a onda que mergulha a psique na dimensão que é nossa. Onde ninguém nos entenderia. Onde falaríamos um português que mais ninguém sabe falar.
Onde as palavras são apenas nossas e os sentidos foram atribuídos num passado distante.
Enraízas-te. Sei onde te nascem as feridas, sei que a febre não vai ceder hoje. Faço amor com o teu coração e com os dedos que se enterram na minha carne, deixo que me inundes de verde e de azul e de mar.
Purgo as feridas, suavizo a dor que é minha, que pulsa na minha essência e é tua. Nasce em ti e morre-me na língua. Que passo, áspera nos lábios.
Amanhã, sei que as abrirás e que as abrirás sempre e para sempre, enquanto todas as noites, toda a nossa vida, irei apagar as tuas cicatrizes. Por alguns momentos. Amanhecerás sempre igual, sempre meu. E de noite, voltas, amor. Voltas com o impacto de uma chuva de outono, violado de realidade e amargura.
Arrastarás o corpo, farás amor comigo, irás foder-me a alma, irás ver-me, tão claramente como se a carne não existisse na nossa dimensão. Terás dúvidas.
Terás certezas. Terás orgasmos mentais e físicos.
E a febre, talvez nunca ceda completamente.
Não quero que me ames de qualquer outra forma que não esta.
sábado, maio 22, 2010
Destino (tempos em que te esqueci)
Tempos houve que te esqueci,
entretida com o fiar do destino.
Nesses tempos, o azul era tão vermelho
e o espaço era bafiento.
Perdi-me dentro de mim mesma.
Iluminada pela ilusão do conforto
e da segurança de uma ponte
movediça. Perdi-me dentro das minhas
esperanças vãs e do som gasto
da minha voz a pronunciar nomes que
já não sei. Tempos houve
em que me esqueci. Perdida
num arco-íris de dimensões não-minhas.
Desses tempos guardo uma cicatriz
profunda e um sorriso rasgado.
Como te encontrei no final dessa estrada?
Como é que o teu corpo desaguou no meu?
Tempos houve em que te esqueci.
Recordo esses tempos. Todos os dias.
A cada sol. Lembro-me todos os dias
dos tempos em que te esqueci.
quarta-feira, maio 19, 2010
Para alguém que eu conheci...
... não sei o que te dizer. Normalmente celebraríamos alegremente o dia de hoje, mas não neste momento, não neste impasse em que estamos, não sei o que somos porém estamos diferentes daquilo que éramos.
Hoje vou visitar a cerejeira. Já não o faço há muito tempo, tenho medo dos pedaços que perdi por lá. Neste momento não me fazes falta, não te substituí, não considero possível substituir as pessoas, deixei um lugar vago que não me é necessário para o caso de quereres regressar e de eu te querer de volta.
Não choro mais lágrimas pelo passado, temo ter esquecido muito do que partilhámos num momento de raiva contida e de dor, no entanto recordo alguns momentos, alguns sorrisos, algumas palavras.
As minhas lágrimas secaram acompanhando o lento adeus à saudade que sentia. Já não sinto. Não esqueço mas também não anseio reencontrar-te, não enquanto não voltares a ser a pessoa que eras. Quem sabe e algum momento das nossas vidas os nossos caminhos se cruzem e sejamos as mesmas pessoas que fomof ou pelo menos compatíveis. Não sei...
Foi agradável, os risos, as noites a olhar o céu, as conversas, as perspectivas semelhantes, os sonhos comuns, os momentos, as músicas, os filmes, as frases, as lágrimas, as conversas, as viagens, a infência. Tudo isso continua aqui, ou pelo menos fragmentos soltos, mas tu não.
Não me arrependo, espero que tu também não. Peço desculpa por ter desisido de ligar, por me ter afastado mas tive de fugir à espiral descendente para a qual me dirigia a este ritmo desanimador. Tive de desistir, por mim e por ti, mas mais por mim. Fui egoísta mas não importa. Fi-lo por não conseguirmos continuar a falar continuamente quando tínhamos vidas diferentes e éramos distintas, demasiado distintas, un não consigo lidar com a pessoa que és agora, desculpa-me mas não posso, não sou masoquista, prefiro conservar a imagem da pessoa que eras, da pessoas de quem eu gostava, que não me deiludia tanto como agora, que não me atingia tanto com a sua superficialidade.
Não preciso de ti, não o tomes de forma perjorativa porém parece-me mútuo e espero que sejas feliz assim como o estou a ser.
Isto pode não ser definitivo, para já é apenas uma medida para tornar mais suportável a minha sobrevivência. Apenas faço isto para termos algo a que associar este adeus, para podermos culpar esta carta e dizer que foi a partir deste momento que nos distanciámos, apesar de sabermos que foi anterior a isto.
Espero sinceramente que sejas feliz e que traces o teu caminho da forma que te parecer mais correcta assim como eu estou a seguir o meu.
Sempre que olho as estrelas sorrio, mesmo imaginando que já não vais estar lá, mas isso não importa, as estrelas continuam lá e eu continuo aqui...
Não espero uma resposta, não precisamos dela. Aceito o silêncio como uma anuência não verbalizada nem escrita. Apenas a certeza de que estamos melhor assim.
Adeus.
segunda-feira, maio 17, 2010
A Esperança do coração
E o mundo revolta-se numa insinuação de pertença e de horror.
Caminhas os caminhos que conheço e sei, atravessas vales negros de bruma onde esqueces o teu nome.
Reaprendes a ser outro, deixas de ser tu. Ofereces o coração e a vida. E ela nega-te.
O mundo urra, o vento perfuma o inevitável, e eu escrevo-te. Escrevo-te sozinho, quiçá com uma pequena esperança a iluminar o vazio, quiçá com as mãos estendidas num gesto de súplica: "preenche-me".
Da súplica crio uma ponte, da ponte nasce uma ressonância, da ressonância sinto-te o pulsar quente das veias. És ainda dela. Quiçá um pouco meu.
O mundo cria impossibilidades, escolhas, oportunidades e encruzilhadas.
O mundo cria-nos e recria-nos.
E eu escrevo-te. Esperando, nesse acto, que a esperança do meu coração ecoe no teu.
Esperando que das minhas palavras luza uma estrela para onde possas escoar o teu vazio.
O amor violou-nos os sentidos. Até quando não sei. Dá-me a mão. Respira pelos meus lábios. Deixa que a sombra dos meus passos desenhe os teus.
Escreve-me. Solta as palavras. Renasce. Sonha. Tem esperança.
Escrevo para ti.
Preencho-te.
Sorri (me).
terça-feira, maio 11, 2010
sábado, maio 08, 2010
A sensualidade da escrita
A escrita aproxima as pessoas de uma forma quase assustadora.
É como identificar nos outros parcelas de nós mesmos.
Ler nas palavras perdidas em blogs, livros, crónicas, as nossas loucuras, os nossos mais inconfessados anseios.
Os laços que se criam entre duas pessoas apaixonadas pela escrita faz com que se apaixonem entre si e partilhem silenciosamente rasgos mentais.
Um espelho por vezes algo grotesco em que vemos o nosso íntimo no íntimo do outro, o nosso sorrir no sorriso do outro.
E a dor na dor do outro.
Duas pessoas que partilham dor nunca mais poderão ser indiferentes aos vultos dos seus corpos.
Quantos desses encontros fugazes com as nossas metades perdidas no mundo, soltas a voar no espaço da criação?
Quantas palavras ficam por ser ditas nessa mútua compreensão amargamente doce.
Quantas sensibilidades iguais, atracções criadas e recriadas nesse espaço-tempo criativo e sensual?
A escrita é espaço de tentação. De tensões que aproximam e a afastam os possuídos.
Só outro possuído para compreender a possessão.
E não é isso que todo o ser humano procura? Compreensão?
Essa identificação serena e ao mesmo tempo revoltada em que queremos ser o alvo do poema, queremos ser o amor e o amado, queremos ser o destinatário dessas palavras, dessas teias invisíveis e no entanto, tantas vezes palpáveis.
Sim, a escrita, é um acto sensual.
Uma veste que nos torna tão deslumbrantes aos olhos dos outros... dos que nos desnudam devagar, com profundo deleite.
Talvez tudo se resuma a isso... A um amor imenso que nos assoma e nos entrega nas mãos que seguram a caneta. Nos dedos que batem no teclado.
Sendo dos meus leitores, não sou porém de ninguém. E isso torna-me muito mais apetecível.
Muito mais... etérea e majestosa.
Por isso me escondo. Me resguardo. Para que possam sempre sonhar com a deusa que gostam de idealizar.
E que, infelizmente, é tão humana. Tão imperfeita e estupidamente humana.
Visto-me de escrita e danço para vós. Desnudam-me devagar e eu deleito-me, num orgasmo literário, numa sensualidade crescente e viciante.
Quando saio do palco volto apenas a ser eu... Coloco suavemente as minhas vestes num armário enorme e suspiro.
Aqui nos bastidores fico sozinha. E mesmo assim cheia de outras personagens que leio e releio pelos dedos dos que amo ler. Enebriada de criatividade.
E amo... amo a escrita... amo os escritores e as suas palavras.
Mesmo quando estou sozinha... E preenchida de ti.
A espiral
Vi-te partir numa noite escura
de Setembro. Levavas as mãos
escondidas nos bolsos,
os olhos vagos e crispantes.
Vi-te partir. Soube instantaneamente
que a rota de colisão estava permanentemente
traçada nos nossos destinos.
Escondi o rosto por trás da máscara negra
da imponente solidão, escondi
todos os poemas que te escrevi,
rasguei todas as fotografias em que
nunca constaste.
Acordei numa manhã cinza de Setembro
e tu ainda não tinhas chegado.
Virei o corpo cansado e espreitei o rosto
do menino que és tu deitado a meu lado.
Abraçou-me.
Sei que enquanto ele aqui estiver,
estarás enlouquecedouramente
perto.
Quis oferecer-lhe as minhas lágrimas
liláses, deitar-me no seu colo,
ensinar-lhe os erros amargos da minha vida,
quis cantar-lhe poemas sem voz,
quis esquecer-me de mim,
quis romper o meu coração.
Eu estou aqui. Ainda te amo,
disse ele baixinho encostado
ao meu rosto. Ainda me amo...
A noite veio e trouxe-te nu e
violentado. Seguraste-me as mãos,
apalpaste os meus olhos, cego.
Quiseste saber, febril, porque ficas para trás
sempre que o teu corpo se ausenta de mim.
E eu... já não te sei devolver.
sexta-feira, maio 07, 2010
O abismo negro do teu abraço vazio
Guardo o teu sabor nos lábios, nas mãos,
na ânsia soluçante do meu coração.
Existem em ti poemas, letras, palavras
que eu não posso ler.
Escondes segredos e sentimentos que não
espelhas no silêncio da minha alma.
Falta-te a intimidade, dizes-me tu,
Enquanto fodes alguém na ausência do meu
Olhar, na ausência das mãos que te prendem
O corpo e a alma, na prisão que é o meu ventre
E o teu passado, a imensidão omnipresente de todas
As palavras que proferiste e me ensinaste a amar
Ao longo dos anos em que lancei o meu destino
A teus pés. Falta-te a intimidade para que ela
Te percorra as cicatrizes como te percorre
O escroto, como te engole o esperma e te fode
A esperança de amar um dia, de amar como pensas e
Acreditas que jamais amarás, a crença que o amor é algo
Que escondeste de ti mesmo quando a outra partiu
E te abandonou numa escada com as lágrimas nos bolsos
E uma faca na mão com que arrancas os olhos todas as noites.
Portanto, falta-te a intimidade e eu pergunto-me como podes foder
Alguém que não permites que te veja e te sinta e te percorra
As cicatrizes e o frágil da tua pele, que não permites
Que te percorra as tatuagens amargas
Com que pintas o branco do teu silêncio pesado.
Pesas-me, pesa-me a imagem do teu corpo em cima
De alguém, enquanto arfas e ela se espreme contra ti
Num movimento canino, num movimento que rasga a minha
Psique, porque não quero EU NÃO QUERO VER-TE NA MINHA MENTE
A foder alguém, eu não quero o teu cheiro na minha pele
E na minha roupa, não quero o teu coração na minha mão,
Não quero as tuas cicatrizes nas minhas memórias, não
Quero que estejas mais aqui, a foder pessoas que não conheço.
Abandona-me finalmente, deixa-me neste mar que é meu,
De que tenho medo, deixa-me junto do medo e do pavor de não
Saber mais ninguém que não tu, deixa-me junto da certeza que
Te amo e não amarei mais ninguém na minha vida enquanto
Respirares no meu pescoço. Parte. Porque preciso que partas,
Que inflijas um golpe misericordioso na linha que une os nossos
Umbigos e que abraces o destino que te impele para a frente,
Para o abismo negro que é o teu abraço vazio.
Nunca mais, nunca mais, nunca mais me digas que te falta a intimidade.
Nunca mais.
Corpo salgado
"Aqui onde o Sol nasce mais cedo morre-me o teu corpo nu"
Fico a pensar se te posso ensinar mais caminhos que levem aos meus segredos.
Imagino-te sentado, pensativo, imerso em navegações e explorações secretas. Imagino-te, tão somente.
E porque me sentes e me sabes, ergues as mãos e acaricias-me o rosto.
Pergunto-me onde deixaste o desejo que te consumia e o substituíste por um sereno sorriso pálido. Pergunto-me onde me deixaste. Algures num tempo cansado e vão.
As minhas palavras tornam-se tão repetitivas como as tuas. Um dia virá que a poesia não nascerá mais em qualquer fonte junto a meus pés e apenas me restará o teu nome e algumas lembranças poeirentas. Nesse dia, saberei que o rouxinol terminou o seu canto.
Simplesmente saberei.
Existe um Eu que vive o mundo e os homens e o cansaço eterno de começar todos os dias uma nova história e terminá-la antes de o Sol se pôr.
Existe um outro Eu que só vive no teu mundo. Um Eu mais largo e mais profundo, com lábios liláses e vozes ocas.
Escrevi-te uma carta. Deixei-ta algures num dos meus recantos. Sei que a saberás encontrar. E quando o fizeres sei que morrerei algures. E sorrirei porque só tu és o meu legado no mundo.
Só tu e as tuas mãos curvas e o teu corpo salgado.
E basta(s)-me.
quarta-feira, maio 05, 2010
Os teus pés percorrem, hoje, caminhos que a mim já me cansaram
Se me queres ensinar o valor de uma lágrima fá-lo. Mas não me grites o quanto dói ser diferente, o quanto dói ser tão igual e, no entanto, desejar a diferença do fundo do coração.
Se tentas, ainda que em vão, provar-me a tua miséria, o teu infortúnio, então ergue-te e canta-mo do alto do orgulho de se ter atravessado a nado sem sequer pisar uma ponte.
Mas não, isso não, não me enchas de palavras e falta de atitudes, não me tentes nem me atires aos pés cansados, teorias de solidão e amargura.
Porque neste mundo ninguém conhece a solidão de estar tão só no meio de tanta gente, como eu.
Não procures em mim compadecimento e compreensão. De mim só ouvirás palavras de ordem: "levanta-te, ergue-te, atira-te de um penhasco mas vive...".
Fico à espera que te suicides de uma vez ou que aprendas a morder a vida com raiva e com desfaçatez.
Se procuras em mim olhares de piedade e conforto... enganas-te. Eu sou aquela que nunca te irá abraçar o corpo mole e incitar-te à preguiça, ao desmazelo, à cegueira com olhos vivos e não usados.
Sou, isso sim, aquela que te empurra, te esbofeteia, te grita, te incita, te atira do penhasco se tu não te atirares por ti mesmo... Aprende a voar de uma vez, porra!
Cansas-me os cansaços que me restam depois de anos a mastigar o próprio infortúnio.
Eu isolei-me, eu rasguei os laços de amizade e pseudo-amizade, eu gritei e chorei e mortifiquei-me e com isso a doença ganhou-me e alimentou-se de mim até eu me encolher de dor e rezar, rezar, rezar por piedade e colo de Mãe.
Hoje, erguida, renascida, controlada, conformada com os desaires do destino cuspo nos dias e memórias de fraqueza...
Não... a auto-piedade não nos leva a lado nenhum. Deitarmo-nos numa cama a morrer, a cheirar a nossa própria podridão só nos leva aos limiares da loucura.
Estive doente de corpo e de alma. Mas ESCOLHI continuar. Continuar sempre, pisar os meus próprios dejectos, rir-me do meu fado e ainda assim continuar.
A vida são meras espirais de ciclos mais ou menos longos.
Ciclos sagrados que tu vês passar sem lhes tomar o sabor...
Por isso se esperas que te abrace e te conforte, desculpa, não o farei.
Mas puxo-te o braço, seguro-te o corpo, amparo-te a queda, sorrio-te em noites escuras, embalo-te os pesadelos e beijo-te a fronte nos momentos de desilusão.
Mas piedade, não.
A piedade morreu-me nas noites em que gritei sufocada pela dor, à espera de uma mão que não vinha, um colo que nunca chegou... um beijo que nunca aconteceu.
terça-feira, maio 04, 2010
saudades
Sinto saudades.
Sim, de ti. De ti que nunca conheci…
Compreendes isso? Essa ausência que me pesa mesmo quando sei que não podes estar porque nunca estiveste.
Pergunto-me o que pensas… O que estarás neste momento a desenhar nas telas da tua imaginação.
Será que ouves o meu voo de Fénix em redor dos teus dedos?
Arrasto os pés em mais uma das minhas viagens. Todos os meus projectos falhados pesam-me nas costas. Mesmo os que não chegaram a nascer.
Como tenho saudades… Das tuas palavras, dos teus beijos, dos teus braços em redor da minha cintura a cingir-me contra o teu peito. Das ânsias pela tua chegada que nunca aconteceu realmente.
Preciso de ti, entendes?
Preciso que me faças de novo acreditar no amor, na chegada de um amanhã mais limpo, mais belo, mais sorridente.
Preciso que inscrevas o meu nome em todas as tuas paredes, inebriado de amor e desejo…
Em noites como esta, solitária, fria, em que os meus braços me apertam num abraço desesperado penso-te também sozinho, perdido em mim e na forma que dás aos meus olhos.
Tenho saudades…
Tenho saudades de mim nos teus sonhos.
A puta da loucura
Enrola-os em ondas perpétuas,
lodo de um passado eminentemente presente.
A luz fere-me os olhos e as mãos,
a ferida que abre e respira e é real
e é fétida. Encolho o corpo e a mente,
encolho-me no abismo da noite profunda,
escondo-me, escondo-me, engulo lágrimas
e palavras, silêncios assassinos que guardo
junto ao seio. Quebro o espelho. Quebro
a brancura da pele e do tempo sereno,
quebro-me, quebro-me, quebro-me
num incessante atropelar de eventos e erros.
Deito-me no chão e respiro o ar rarefeito
do meu quarto, respiro e arranco os olhos
grandes, os olhos que viram e guardaram
toda a merda que comi, todas as mentiras,
pontos de interrogação, reticências,
linhas mal paridas
com que escrevi a minha história.
"Era uma vez..."
uma criança nauseada num barco em que vê
o seu futuro e as suas crises e as suas falhas,
uma criança um beco um recomeço,
zero zero zero zero zero.
pum,
zero zero zero zero zero.
recomeço.
pim
zero zero zero zero zero
a loucura, a puta da loucura e
a mancha a mancha dos meus olhos nítidos
a mancha dos meus olhos curvos
a mancha de esperma nos lençóis
e o sangue o sangue negro que me escorre
da alma da doença do ventre
do amargo dos dias a puta da
l o u c u r a
ah e os dias eram mais claros
e dias houve que o sol nasceu mais cedo
e a criança nauseada sorriu
e sorriu muito e era feliz e era muda
e era um rol de palavras
e
e
e
e
e
e
zero.
fim.
recomeço.
pim.
quem és tu?
quem és tu?
que me olhas?
quem
és
tu
foda-se?
eu. sou. a. menina. quebrada.
[abraço-te]
pensasses no sol e nas cores
quando vendeste a alma
ao diabo.
""Isto é apenas um Texto,não se baseia em factos reais e pessoais""
Psique lilás
Sinto o corpo tremente de prazer antecipado (orgasmo intenso da escrita).
Água quente na pele branca. Água quente no cabelo escuro...
Os olhos perdidos no horizonte vago.
Abro os lábios para proferir as palavras. Respiro. Passo a língua, molho-os.
Suspiro.
Sinto as palavras... A emergirem dos olhos, a cairem no chão lavado do meu quarto.
A semearem-se no espaço vazio entre a cama e o armário.
Sinto o teu calor mesmo a meu lado.
Chego-me para ti.
Seguro-te pela cintura.
Dormes.
Sinto as palavras, o rodopio que é ter a boca a saber a maresia.
Pergunto-me o que sonhará a tua mente na escuridão da noite.
Pergunto-me o que serás tu, dentro de ti mesmo.
Dormes.
Aproximo os meus lábios dos teus.
Espero.
Sinto a tua respiração compassada.
Espero.
Dormes.
Aproximo mais.
Deixo que a minha respiração se cole na tua.
Estremeço na antecipação do prazer do beijo roubado.
Dormes.
Deixo-me cair na cama.
Abraço-te de novo.
Fecho os olhos. Daqui a pouco virão os sonhos.
A loucura dos meus mundos sem regras.
Pedaços da minha psique lilás.
Dormes.
Durmo.
segunda-feira, maio 03, 2010
A simplicidade da ausência
A simplicidade das palavras é um labirinto na minha mente.
Uma espada cravada no meu peito.
É a tua cabeça no meu peito.
Mil e uma pessoas entre nós a separar-nos, a puxarem-te dolorosamente para longe.
A simplicidade de um beijo é a barca onde repousam os mais inconfessáveis
segredos.
(eu aqui perdida em ti, a sonhar-te. os lábios entreabertos a sussurrar rezas antigas.)
A simplicidade de um abraço é um mar de enganos e teias que teces de volta de
mim. Enganas-me.
Enganas-te. Enganas. Ganas... Ganas de te agarrar e te forçar de alguma forma a
expelir o suspiro final que separa a verdade da mentira. O sonho da realidade.
A cor do negro. O preenchimento do vazio.
A simplicidade de ser eu enquanto tento fugir da tua respiração pesada.
("amas-me. liberta-se de cada poro teu" sorriu ele).
A simplicidade de te convencer da minha ausência da fotografia.
Fotografo-te. De novo. De novo. Click. Click...
A minha ausência.
A simplicidade da ausência.
De ti.
Impossibilidade de ser diferente
A impossibilidade de superar tudo através da escrita sufoca-me. A escrita não me salva da desilusão de não atingir os
patamares que imponho a mim mesma.
A impossibilidade de me superar a mim mesma sufoca-me.
Como ser alguém que está para além dos limites da carne?
Para além dos limites humanos?
Queria forçar os meus pés a percorrem caminhos meus, jamais percorridos por todos os outros. Queria atirar o meu
corpo num imenso nada inexplorado e boiar, boiar nesse limbo de inexistência física e psicológica até esta dor intensa
parar de dilacerar o meu peito.
Que me importam os braços que me estreitam se eu, eu, só eu, lanço um grito na noite de frustração e desespero?
Que me importam as palavras apaziguadoras da intensa destruição que espalho na minha psique, se eu, eu que tudo
construí me sinto impelida a destruir-me e rasgar-me sem parar?
A impossibilidade de ser diferente, nascer diferente, falar diferente, sufoca-me.
Tudo o que acreditei até ao momento desmoronou-se a meus pés.
Tudo o que pensei ser um dado adquirido mudou na minha vida. Mudou, simplesmente.
Quem sou eu agora? Quem é o ser que me olha assustado, mudo do espelho?
Quem tem as respostas às minhas perguntas? Acredito ser eu e procuro, procuro, cada vez mais e mais fundo e nada.
Nada. Imenso nada. Sempre o horrível nada.
A impossibilidade de acordar amanhã num sítio diferente, mais belo, mais colorido, mais meu, sufoca-me.
Onde estás tu quando preciso de ti aqui? Onde estão os teus dedos esguios que não me limpam as lágrimas, não me
apertam contra o teu peito enquanto me apagam as palavras, os suspiros, as mágoas?
Onde estás em todos os momentos em que sufoco pelas impossibilidades inerentes a ser eu?
Neste espaço limitado que é o meu ser, a minh'alma contorce-se na angústia de ser quem sou...
Hoje mais que todos os outros dias...
Hoje fico sozinha a afogar-me na impossibilidade de ser diferente.
Do outro lado do espelho
E quando as palavras não significam nada?
Quando procuramos uma saída perfeita
para a nossa incompreensão dos factos
que se sucedem na nossa vida
em espiral. A sempre eterna
espiral.
E quando as palavras não significam nada
para além de sílabas confusas e perdidas
na minha mente ferida.
Uma imensão solidão a crescer-me no ventre
a trespassar-me os olhos leitosos.
Tacteio as paredes suadas, mal cheirosas,
procuro os sinais, a direcção, a saída.
As palavras não significam nada.
Não trazem nada de novo.
Não abrem as portas que tu fechas.
Seguro-as na mão. Chaves inúteis
da minha psique.
Livro aberto de insegurança,
medos lodosos, monstros amestrados
a roerem-me os ossos,
sonhos desfeitos,
peles trocadas à força pela vida.
A minha voz a ecoar distorcida,
palavras ocas, velhas e novas.
Decisões jamais tomadas
mas assumidas perante ti.
Encosto-me ao espelho, ofegante, e sei,
sei dolorosamente que do outro lado
estás tu, encostado, ofegante,
perdido nos teus medos particulares, os teus
monstros, os teus ossos, o teu livro,
quase sinto a tua respiração.
Grito o teu nome, grito, grito até à loucura.
(Quebro o espelho.
Estilhaços por toda a parte.
Desespero de te querer fora de mim
e simultaneamente dentro.
Parto.)
Quando as palavras são pouco
para expressar tudo o que sentimos
no mais íntimo do nosso ser
sentamo-nos a tecer o silêncio.
O silêncio é a comunicação última.
Abraço o silêncio.
Perfumo-o.
Trago-o em mim.
És o silêncio espelhado no lago escuro
da minha mente.
sábado, maio 01, 2010
Irreal
O que fazemos quando a moral, tudo o que nos ensinaram e aprendemos enquanto crianças subitamente se torna tão torpemente irreal?
Quando o corpo pede e a alma se atira num abismo de frieza e se esconde de nós?
O que fazemos quando tudo o que restam são incógnitas, becos, amarguras?
O que fazemos quando o destino surge tatuado nas ruas, nas falésias, nos pedaços de nós no mundo?
Tudo o que quero é não querer desta forma.
Ser linear e simplista. Quero acreditar e ter fé e ser banal.
Nestes dias, tudo o que quero é não ser Eu.
Quando o corpo pede e a alma se atira num abismo de frieza e se esconde de nós?
O que fazemos quando tudo o que restam são incógnitas, becos, amarguras?
O que fazemos quando o destino surge tatuado nas ruas, nas falésias, nos pedaços de nós no mundo?
Tudo o que quero é não querer desta forma.
Ser linear e simplista. Quero acreditar e ter fé e ser banal.
Nestes dias, tudo o que quero é não ser Eu.
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