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sexta-feira, maio 07, 2010

Corpo salgado



"Aqui onde o Sol nasce mais cedo morre-me o teu corpo nu"

Fico a pensar se te posso ensinar mais caminhos que levem aos meus segredos.
Imagino-te sentado, pensativo, imerso em navegações e explorações secretas. Imagino-te, tão somente.
E porque me sentes e me sabes, ergues as mãos e acaricias-me o rosto.
Pergunto-me onde deixaste o desejo que te consumia e o substituíste por um sereno sorriso pálido. Pergunto-me onde me deixaste. Algures num tempo cansado e vão.
As minhas palavras tornam-se tão repetitivas como as tuas. Um dia virá que a poesia não nascerá mais em qualquer fonte junto a meus pés e apenas me restará o teu nome e algumas lembranças poeirentas. Nesse dia, saberei que o rouxinol terminou o seu canto.
Simplesmente saberei.
Existe um Eu que vive o mundo e os homens e o cansaço eterno de começar todos os dias uma nova história e terminá-la antes de o Sol se pôr.
Existe um outro Eu que só vive no teu mundo. Um Eu mais largo e mais profundo, com lábios liláses e vozes ocas.

Escrevi-te uma carta. Deixei-ta algures num dos meus recantos. Sei que a saberás encontrar. E quando o fizeres sei que morrerei algures. E sorrirei porque só tu és o meu legado no mundo.
Só tu e as tuas mãos curvas e o teu corpo salgado.
E basta(s)-me.