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segunda-feira, maio 03, 2010

A simplicidade da ausência



A simplicidade das palavras é um labirinto na minha mente.
Uma espada cravada no meu peito.
É a tua cabeça no meu peito.
Mil e uma pessoas entre nós a separar-nos, a puxarem-te dolorosamente para longe.

A simplicidade de um beijo é a barca onde repousam os mais inconfessáveis

segredos.
(eu aqui perdida em ti, a sonhar-te. os lábios entreabertos a sussurrar rezas antigas.)
A simplicidade de um abraço é um mar de enganos e teias que teces de volta de

mim. Enganas-me.
Enganas-te. Enganas. Ganas... Ganas de te agarrar e te forçar de alguma forma a

expelir o suspiro final que separa a verdade da mentira. O sonho da realidade.
A cor do negro. O preenchimento do vazio.

A simplicidade de ser eu enquanto tento fugir da tua respiração pesada.

("amas-me. liberta-se de cada poro teu" sorriu ele).

A simplicidade de te convencer da minha ausência da fotografia.
Fotografo-te. De novo. De novo. Click. Click...
A minha ausência.
A simplicidade da ausência.
De ti.