2)
Estou a escrever um livro.
sexta-feira, dezembro 10, 2010
sábado, novembro 20, 2010
Conclusões da noite de ontem
1. Adoro linguística e gramática e todas essas coisas relaccionadas com a língua
2. Ando uma saudosista do pior. Vejo duas ou três pessoas da faculdade e emociono-me toda "Olha a não sei quantas, tive duas aulas de Literatura norte-americana com ela. Que saudades"
3. Há gente muito burra e há gente que não devia mandar bitaites sobre o que não sabe
4. Não é muito boa ideia fazerem simpósios sobre o Acordo Ortográfico a acabar à 1h da manhã
5. Não é muito boa ideia beber 6 copos de sangria antes de ir para um simpósio sobre o Acordo Ortográfico
2. Ando uma saudosista do pior. Vejo duas ou três pessoas da faculdade e emociono-me toda "Olha a não sei quantas, tive duas aulas de Literatura norte-americana com ela. Que saudades"
3. Há gente muito burra e há gente que não devia mandar bitaites sobre o que não sabe
4. Não é muito boa ideia fazerem simpósios sobre o Acordo Ortográfico a acabar à 1h da manhã
5. Não é muito boa ideia beber 6 copos de sangria antes de ir para um simpósio sobre o Acordo Ortográfico
Oh tempo, volta pra trás
Eu adormecia com isto lá para 2002.
Em modo loop.
E cantava.
Baixinho.
Baixinho.
E ouvia durante o dia.
E tinha (ainda tenho!!) um CD e ouvia no discman. (alguém lembra o que é isso??)
E obrigava os meus amigos a ouvirem.
Alguns passaram a estar tão viciados quanto eu.
Já não lembrava disto há tanto tempo.
Se hoje dormir, já sei quem me vai fazer companhia! hot hot hot
Gosto tanto de ser doentia.
Em modo loop.
E cantava.
Baixinho.
Baixinho.
E ouvia durante o dia.
E tinha (ainda tenho!!) um CD e ouvia no discman. (alguém lembra o que é isso??)
E obrigava os meus amigos a ouvirem.
Alguns passaram a estar tão viciados quanto eu.
Já não lembrava disto há tanto tempo.
Se hoje dormir, já sei quem me vai fazer companhia! hot hot hot
Gosto tanto de ser doentia.
.....
Há coisas que as pessoas não percebem. E por vezes fico demasiado cansada para me explicar de novo, ou até mesmo pela primeira vez.
As coisas que eu faço, nem eu compreendo, por isso não espero que outros entendam. No fundo quero muito acreditar que o que faço, bem ou mal, faço-o por um bem maior meu mas, de forma superficial, não me interessa. Não quero saber, e faço por não saber. Não peço que me compreendam ou sequer façam esforço para tal porque não me interessa. Só peço que não me julguem quando não me conhecem minimamente.
Agora, a minha faceta desligada, fria, é-me útil, algo de bom teria de advir disso. Agora preciso mostrar uma cara fechada, não dar confianças, sem esforço. Uma forma de respeito, não sei. A qualquer outro diria isso, como disse.
Canso-me de me explicar porque vou, porque volto, porque em noites de maior frio não me apraz trazer lenha para casa para acender a lareira, gosto do frio, e do que me faz, obrigando-me a deixar o casaco pendurado no armário, de pés nus no chão de tijoleira. Há que me lembrar, nestes dias, que vivo. Quando entro por aquela porta, já a noite caiu há horas, quero lembrar que o que se vê e faz lá fora, lá fora fica, embora os papeis me acompanhem sempre, a relembrar o que tem de ser feito, posto em ordem, resolvido.
Não têm que me pedir explicações porque decido fazer o que faço, estando tão destruída como estou. Mas que interessa isso? Às vezes, são os trabalhos que nos escolhem, e não o oposto.
"Então, porquê isto agora? Porque decidiu este caminho?"
Por vezes fico cansada. Quando o fardamento para o dia seguinte não está preparado, quando o bip insiste em fazer-se ouvir assim que estou quase a entrar num sono profundo - as boas noites de sono, também foram sempre sobrevalorizadas, quando um ou outro se queixa que tem de ir trabalhar debaixo de chuva, quando chego a casa meia dúzia de horas depois do previsto, e o cão reclama por companhia, está com frio e com fome e precisa que lhe ponha a trela para o ir passear, quando tudo o que quero é um banho quente, e poder espalhar os papeis sobre a mesa, tentar encontrar algo que ninguém viu. A chave.
E amanhã é outro dia.
As coisas que eu faço, nem eu compreendo, por isso não espero que outros entendam. No fundo quero muito acreditar que o que faço, bem ou mal, faço-o por um bem maior meu mas, de forma superficial, não me interessa. Não quero saber, e faço por não saber. Não peço que me compreendam ou sequer façam esforço para tal porque não me interessa. Só peço que não me julguem quando não me conhecem minimamente.
Agora, a minha faceta desligada, fria, é-me útil, algo de bom teria de advir disso. Agora preciso mostrar uma cara fechada, não dar confianças, sem esforço. Uma forma de respeito, não sei. A qualquer outro diria isso, como disse.Canso-me de me explicar porque vou, porque volto, porque em noites de maior frio não me apraz trazer lenha para casa para acender a lareira, gosto do frio, e do que me faz, obrigando-me a deixar o casaco pendurado no armário, de pés nus no chão de tijoleira. Há que me lembrar, nestes dias, que vivo. Quando entro por aquela porta, já a noite caiu há horas, quero lembrar que o que se vê e faz lá fora, lá fora fica, embora os papeis me acompanhem sempre, a relembrar o que tem de ser feito, posto em ordem, resolvido.
Não têm que me pedir explicações porque decido fazer o que faço, estando tão destruída como estou. Mas que interessa isso? Às vezes, são os trabalhos que nos escolhem, e não o oposto.
"Então, porquê isto agora? Porque decidiu este caminho?"
Por vezes fico cansada. Quando o fardamento para o dia seguinte não está preparado, quando o bip insiste em fazer-se ouvir assim que estou quase a entrar num sono profundo - as boas noites de sono, também foram sempre sobrevalorizadas, quando um ou outro se queixa que tem de ir trabalhar debaixo de chuva, quando chego a casa meia dúzia de horas depois do previsto, e o cão reclama por companhia, está com frio e com fome e precisa que lhe ponha a trela para o ir passear, quando tudo o que quero é um banho quente, e poder espalhar os papeis sobre a mesa, tentar encontrar algo que ninguém viu. A chave.
E amanhã é outro dia.
sábado, setembro 25, 2010
Me, my high heels and my wooden leg
(sms)
Eu: Vamos beber café?
Ele: Então hoje não há bike?
Eu: Estou lesionada.
Ele: Estás lesionada onde, bicho?
Eu: Os bichos não se lesionam, perdem patas. E uma cauda, ocasionalmente.
Ele: Onde perdeste o traseiro?
Eu: Dói-me o pé.
Ele: Qual?
Eu: O meu!
Ele: Ah.
Eu: O direito, um pouco à frente do calcanhar, assim mais na zona de dentro do pé.
Ele: Como aconteceu isso?
Eu: Sei lá, acontece-me às vezes ter estas dores! Porquê, és massagista??
Ele: Estás de muletas?
Eu: Estou de saltos!!
Ele: Mas não te dói o pé?
Eu: Sim. E iria continuar a doer-me estivesse eu de ténis, flip-flops ou pantufas. Já que estou dorida, pelo menos estou dorida com bom gosto!
Ele: Blahblah. Até já.
Dorida que nem uma camela, dói-me o casco como nunca doeu antes. E ainda me dói mais se o enfiar nos ténis. Até coxa tenho estilo, ai a minha vida... Que maçada.
A bike está encostada às boxes. Tadinha, chora que nem uma porca. Saudades de me ter a montada em cima dela. Badalhoca.
Eu: Vamos beber café?
Eu: Estou lesionada.
Ele: Estás lesionada onde, bicho?
Eu: Os bichos não se lesionam, perdem patas. E uma cauda, ocasionalmente.
Ele: Onde perdeste o traseiro?
Eu: Dói-me o pé.
Ele: Qual?
Eu: O meu!
Ele: Ah.
Eu: O direito, um pouco à frente do calcanhar, assim mais na zona de dentro do pé.
Ele: Como aconteceu isso?
Eu: Sei lá, acontece-me às vezes ter estas dores! Porquê, és massagista??
Ele: Estás de muletas?
Eu: Estou de saltos!!
Ele: Mas não te dói o pé?
Eu: Sim. E iria continuar a doer-me estivesse eu de ténis, flip-flops ou pantufas. Já que estou dorida, pelo menos estou dorida com bom gosto!
Ele: Blahblah. Até já.
Dorida que nem uma camela, dói-me o casco como nunca doeu antes. E ainda me dói mais se o enfiar nos ténis. Até coxa tenho estilo, ai a minha vida... Que maçada.
A bike está encostada às boxes. Tadinha, chora que nem uma porca. Saudades de me ter a montada em cima dela. Badalhoca.
sexta-feira, setembro 24, 2010
¬¬
(ontem à noite a caminho do café)
Ele: -blablablabla-
Eu: (testa franzida, a olhar para o rádio e a fazer aquele gesto com a mão para o mandar calar) Shiu!
Ele: Mas ouviste alguma coisa do que eu disse?
Eu: Shiu, shiu...! De onde é que eu conheço esta música?
De onde eu conheço isto? Porque não conseguimos lembrar o que queremos? Irrita-me!
(ontem à noite a caminho do café)
Ele: -blablablabla-
Eu: (testa franzida, a olhar para o rádio e a fazer aquele gesto com a mão para o mandar calar) Shiu!
Ele: Mas ouviste alguma coisa do que eu disse?
Eu: Shiu, shiu...! De onde é que eu conheço esta música?
De onde eu conheço isto? Porque não conseguimos lembrar o que queremos? Irrita-me!
segunda-feira, agosto 30, 2010
Há-de chegar um dia...
Há-de chegar um dia...
em que a noite romperá o céu com rasgos de luz,
anunciando o fim inevitável de todas as coisas.
Há-de chegar um dia...
em que o vento se arrastará indiferente ao que fica para trás
e a luz, trémula, encolhida perante o seu bafejar,
se apagará.
Há-de chegar um dia...
em que a imagem que vê no espelho se curvou aos anos
e já não se reconhece naquilo que foi noutros dias.
Há-de chegar um dia...
em que a velhice se cola na carne, entranha nos ossos e rói a alma,
deixando em seu lugar pequenas memórias desordenadas
daquilo que já não é.
Há-de chegar esse dia.
Quando não houver mais em que acreditar.
em que a noite romperá o céu com rasgos de luz,
anunciando o fim inevitável de todas as coisas.Há-de chegar um dia...
em que o vento se arrastará indiferente ao que fica para trás
e a luz, trémula, encolhida perante o seu bafejar,
se apagará.
Há-de chegar um dia...
em que a imagem que vê no espelho se curvou aos anos
e já não se reconhece naquilo que foi noutros dias.
Há-de chegar um dia...
em que a velhice se cola na carne, entranha nos ossos e rói a alma,
deixando em seu lugar pequenas memórias desordenadas
daquilo que já não é.
Há-de chegar esse dia.
Quando não houver mais em que acreditar.
O medo do medo.
Ontem adormeci pequenina e hoje acordei encolhida em mim mesma.
Tolhida pelo medo. Como um pássaro assustado que nunca voou ou que tem de voltar a voar depois de uma queda na qual partiu uma asa.
Hoje acordei pequenina mas grande demais. Cheia de incertezas corroedoras da alma e medo... aquele medo... O que chega quando já toda a gente se foi embora. Aquele que se senta no nosso colo, quando a casa está vazia e a única coisa que a enche é o silêncio, tantas vezes desconfortável, de quatro paredes.
Nao tenho medo por hoje... mas temo pelo que virá, um dia. Tremo por dentro. Tenho receio que este silêncio não passe e, em vez de uma visita indesejada, se torne num inquilino a tempo inteiro. Receio que as pessoas se tornem apenas sombras que não mais reconhecerei e eu passe a ser a sombra de mim mesma.
Tentarei não pensar mais nisso. Não penso mais nisso. Por ora.
O medo fica instalado aqui, bem escondido. O medo do medo. O medo de envelhecer. Sozinha. Em silêncio
Tolhida pelo medo. Como um pássaro assustado que nunca voou ou que tem de voltar a voar depois de uma queda na qual partiu uma asa.
Hoje acordei pequenina mas grande demais. Cheia de incertezas corroedoras da alma e medo... aquele medo... O que chega quando já toda a gente se foi embora. Aquele que se senta no nosso colo, quando a casa está vazia e a única coisa que a enche é o silêncio, tantas vezes desconfortável, de quatro paredes.Nao tenho medo por hoje... mas temo pelo que virá, um dia. Tremo por dentro. Tenho receio que este silêncio não passe e, em vez de uma visita indesejada, se torne num inquilino a tempo inteiro. Receio que as pessoas se tornem apenas sombras que não mais reconhecerei e eu passe a ser a sombra de mim mesma.
Tentarei não pensar mais nisso. Não penso mais nisso. Por ora.
O medo fica instalado aqui, bem escondido. O medo do medo. O medo de envelhecer. Sozinha. Em silêncio
sexta-feira, agosto 06, 2010
Amanhã
Amanhã irei conhecer-te e desse dia adiante as linhas do teu rosto ficarão imprimidas em mim. Ouvirei o som da tua voz, e de tão familiar que me irá soar, será a única coisa que me tirará a calma quando te chegares a mim ou me acalmará quando mais preciso. Saberei que eras tu quem esperava para dizer o que nunca foi dito. Sem o nunca esperar, amanhã serás tu quem me vai fazer viver.
Amanhã, quando te beijar pela milésima vez, embora pareça sempre a primeira, saberei que não será a última. Trarei o teu sabor para me lembrar de ti nas tuas horas ausentes. Continuarás a assustar-me, porque de tanto que te vou querer, o mesmo tanto que temerei por te perder. Os planos não serão feitos porque têm de ser feitos, mas sim porque nos será necessário. Discordarás de mim, enervado, para que eu te sorria ainda fascinada pela forma como te irrito. Seremos vítimas da nossa impetuosidade quando, chegados a casa, o caminho entre a porta de entrada e o seu interior será demasiado extenso para nos aguentarmos. Botões saltarão, risos e gemidos ecoarão pelas paredes da nossa casa quando me encostares a cada uma delas.

Amanhã de manhã, quero que acordes com o cheiro a café que estarei a fazer na cozinha, de pés descalços no chão frio, lembrando-me que é Inverno, e terás o cuidado de me acautelar que me poderei constipar. De lâmina em punho irás desfazer a barba com a porta entreaberta para que eu te possa olhar. Beijarei a tua face macia enquanto te ajeito o colarinho da camisa. Amanhã, quando eu for a mãe dos teus filhos, continuarei a acordar mais cedo do que tu para vos olhar e pensar no dia em que escrevi tudo isto, nunca julgando que se iria concretizar, mas desejando-o.
Amanhã, mas só amanhã. Hoje continuo sem dormir; tu ainda não estás aqui; ainda não me imaginas tua mulher nem a mãe dos teus filhos. Amanhã, vamos esperar por amanhã.
Amanhã, quando te beijar pela milésima vez, embora pareça sempre a primeira, saberei que não será a última. Trarei o teu sabor para me lembrar de ti nas tuas horas ausentes. Continuarás a assustar-me, porque de tanto que te vou querer, o mesmo tanto que temerei por te perder. Os planos não serão feitos porque têm de ser feitos, mas sim porque nos será necessário. Discordarás de mim, enervado, para que eu te sorria ainda fascinada pela forma como te irrito. Seremos vítimas da nossa impetuosidade quando, chegados a casa, o caminho entre a porta de entrada e o seu interior será demasiado extenso para nos aguentarmos. Botões saltarão, risos e gemidos ecoarão pelas paredes da nossa casa quando me encostares a cada uma delas.
Amanhã de manhã, quero que acordes com o cheiro a café que estarei a fazer na cozinha, de pés descalços no chão frio, lembrando-me que é Inverno, e terás o cuidado de me acautelar que me poderei constipar. De lâmina em punho irás desfazer a barba com a porta entreaberta para que eu te possa olhar. Beijarei a tua face macia enquanto te ajeito o colarinho da camisa. Amanhã, quando eu for a mãe dos teus filhos, continuarei a acordar mais cedo do que tu para vos olhar e pensar no dia em que escrevi tudo isto, nunca julgando que se iria concretizar, mas desejando-o.
Amanhã, mas só amanhã. Hoje continuo sem dormir; tu ainda não estás aqui; ainda não me imaginas tua mulher nem a mãe dos teus filhos. Amanhã, vamos esperar por amanhã.
quarta-feira, julho 21, 2010
A lua vai alta
Inebriadas de amor e confusão.
Confusão própria de quem não sabe o que é
ser dois e ser um. Confusão de amar.
São palavras os afagos com que te embalo
as noites mal dormidas.
Os sonhos apagados.
Os olhos fechados a tremerem.
São palavras que semeio entre nós
quando me entrego totalmentee esquecemos o mundo lá fora.
São palavras que deixo a teus pés
quando me afasto e percorro os meus próprios
caminhos.São palavras que uso para aceder
à tua mente, ao teu mundo, ao teu espaço.
De noite, entrego-me por completo. Dispo-me de preconceitos e inseguranças e sou tua. Nessas noites, não existem palavras. Simplesmente, não existe nada para além do teu sorriso, para além dos teus sons, do teu perfume, da tua existência que me enlouquece.
De noite, não existem palavras.
Não existe mais ninguém para além de nós dois, dos nossos lençóis, a nossa cama, o nosso espaço.
De noite, sinto-te vaguear pelo quarto.
Ouço os teus passos inquietos e sei, eu sei, que na tua alma se revolve uma bola imensa, um vazio, um negrume que afastaste por mim. E que eu engoli para ti.
A lua já vai alta e o teu sono não vem.
Amanhã falaremos palavras sem sentido que não poderão dar cor às nossas noites.
Porque o amor, querido, não se canta.
Demanda
Onde te vi, não sei.
Sei apenas que agora resta um silêncio imenso onde antes reinava um Sol, O Sol.
Onde te deixei... não me perguntes.
Sei apenas que agora estou aqui, sozinha. Não quero sequer que venhas.
Onde estás tu, pergunto-te... Pergunto-me também onde começou a demanda louca pelo amor... Onde o engano... Onde o degredo imenso que se abateu na minha vida.
Onde estás tu?
A fada deita-se suavemente numa cama de pétalas azuis e repousa... Acabou aqui o sonho que nunca o foi.
Porque só tu és tu
Porque todos os homens que me quiseram e me amaram não eram tu.
Porque todas as mulheres que possam alguma vez ter beijado os teus lábios não eram eu.
Porque o Sol amanhã nasce mais cedo.
Porque és tu que me despes de alma e corpo e me conheces todos os segredos.
Porque te olho e te abraço de manhã e a seguir me aninho na tua almofada.
Porque és o meu sorriso, a minha felicidade, o meu sonho.
Porque só tu és tu.
Digo-te: amo-te.
quarta-feira, julho 14, 2010
Além
Irei mais além. Ali onde a luz dos teus olhos não chega. Onde, agora despidos sob o luar, cobertos de pó e teias de aranha, outrora retratos repousavam naquele jazigo. Ali, onde tudo quanto reluz é apenas um reflexo, bem tomado, firme, do que um dia fomos, claridade. Cruzarei metas, banhada em suor, sangue e lágrimas. Partirei à descoberta, onde outros desistiram, de caminhos para o teu interior. O trilho, não sei se sei, se soube nunca saberei. Quando te mostras negro, de tão negro que estás, iluminas os incautos que se perdem em teus meandros. Astuto, apenas para te alimentares das suas almas. Pobres de quem, crédulos da tua bondade em palmas, se caem a teus pés. Pobres, tão pobres...
Julgam-te fé, sabedoria e paz eterna. Essa eternidade que não possuis, ainda assim te julgam para sempre, desde sempre. Pobres, como eu. Perdida entre os teus dedos. Escorro-me entre eles, como areia fina. Perdes-me agora, uma e outra vez. Somente para me colocares no altar, ali, além. Veneras-me, seu pobre. Fazes de mim eternidade. Esta eternidade que trago aqui, além. Dentro de mim, soberba.
Pedir-me-ás mais uma vida. Que te viva, aí, além, dentro do teu peito aberto, despojado de qualquer coisa que o faça fraco, tão fraco. A ele me encostarei para ouvi-lo rouco como um dos nossos gemidos sussurrados pela escuridão da noite, quando me tocas, quando nos tocamos. Exigir-me-ás que te faça respirar por entre os meus lábios, que te dê cor através dos meus olhos e de beber pelas minhas mãos. Pedir-me-ás que te veja por entre o tecido que te envolve, a solidão, que o rasgue com os meus dedos. Dedos que te conhecerão todos os dias de novo pela primeira vez, hoje, amanhã e depois. Implorarás que te mate aqui, no meu peito e além, entre as dobras do meu ser quente.
De joelhos suplicarás para que te consuma, como o fogo que lambe a querosene deste soalho, queimando as películas do que um dia seremos. A Quimera dos amantes. Perder-me-ei entre os recantos do teu ser, viajarei pelas tuas veias num fátuo momento, nosso. Como um magnete, me atrais, para me voltar a pisar, e eu, louca de tão pobre de ti, me deixo, me dou, me arrolo nesse teu ínvio coração. Fechado, apenas para mim.
Vivo sob o Sol que me cresta a pele, essa que dizes imaculada, tão pura, demasiado tua, fria ao toque. Tão demasiadamente morta.
Amam-te, dizem, viradas para Norte, de olhos fechados, sem nunca perceberem que(m) veneram. Sem nunca te (tar)dares, sem nunca calares essa cantiga dentro de ti, toada a sons monocórdicos, na corda, além, na tua linha labial, entre os meus dentes. Sinto-te o sabor férreo do sangue e a doçura dura do teu olhar a percorrer-me a linha das costas, como o fazes, na minha desnuda pele, com a ponta dos dedos.
Amordaça-me nas tuas palavras atiradas contra o meu peito, sem cuidado, afiadas para me machucarem, criadas para me amar odiando-me.
Odeia-me.
Ama-me.
Sem (in)diferença.
Julgam-te fé, sabedoria e paz eterna. Essa eternidade que não possuis, ainda assim te julgam para sempre, desde sempre. Pobres, como eu. Perdida entre os teus dedos. Escorro-me entre eles, como areia fina. Perdes-me agora, uma e outra vez. Somente para me colocares no altar, ali, além. Veneras-me, seu pobre. Fazes de mim eternidade. Esta eternidade que trago aqui, além. Dentro de mim, soberba.
Pedir-me-ás mais uma vida. Que te viva, aí, além, dentro do teu peito aberto, despojado de qualquer coisa que o faça fraco, tão fraco. A ele me encostarei para ouvi-lo rouco como um dos nossos gemidos sussurrados pela escuridão da noite, quando me tocas, quando nos tocamos. Exigir-me-ás que te faça respirar por entre os meus lábios, que te dê cor através dos meus olhos e de beber pelas minhas mãos. Pedir-me-ás que te veja por entre o tecido que te envolve, a solidão, que o rasgue com os meus dedos. Dedos que te conhecerão todos os dias de novo pela primeira vez, hoje, amanhã e depois. Implorarás que te mate aqui, no meu peito e além, entre as dobras do meu ser quente.
Vivo sob o Sol que me cresta a pele, essa que dizes imaculada, tão pura, demasiado tua, fria ao toque. Tão demasiadamente morta.
Amam-te, dizem, viradas para Norte, de olhos fechados, sem nunca perceberem que(m) veneram. Sem nunca te (tar)dares, sem nunca calares essa cantiga dentro de ti, toada a sons monocórdicos, na corda, além, na tua linha labial, entre os meus dentes. Sinto-te o sabor férreo do sangue e a doçura dura do teu olhar a percorrer-me a linha das costas, como o fazes, na minha desnuda pele, com a ponta dos dedos.
Amordaça-me nas tuas palavras atiradas contra o meu peito, sem cuidado, afiadas para me machucarem, criadas para me amar odiando-me.
Odeia-me.
Ama-me.
Sem (in)diferença.
segunda-feira, julho 05, 2010
Sogno
A realidade sempre foi mais fria que o sonho e as cores fortes da ilusão.
As cores com que embelezei a tua pele, vesti o teu corpo.
Recriei-te em mim e em mim não podias jamais ser outro
que não o homem mistério-eternidade.
O menino pertença-abismo.
Do teu sorriso recriei um arco-íris.
Das tuas mãos recriei todo um abrigo.
O espaço onde escondi todos os meus segredos
e evidências. De ti renasci e morri todas as noites
e todos os dias, marcada pela doença e pela intensidade
das emoções. E o tempo deixou de ser tempo.
E a terra deixou de ser terra.
E o dia nasceu em que os meus olhos não te reconheceram.
Em que os segredos te brotaram das impaciências
e vieram morrer-me aos pés, secos, negligenciados.
Era eu a fitar-te. Era Ela. Ela, que é imensa e fria.
Que tem olhos de fénix. Que tem asas de demónio.
Ela, que perfurou a ilusão com que te vesti e eras tão tu,
ali, tão banal, tão humano?
O coração estilhaçou-se-me em mil pedaços, a tua voz
a afirmar que é tudo normal, que noutros mundos,
outras mulheres também geravam desinteresse.
E o meu coração estilhaçado, ela altiva a observar-te,
a rir-se, a achar tudo tão ridículo, a murmurar-me que afinal
tu sempre foste apenas mais um pássaro a esvoaçar
dentro de uma gaiola. A tua mente curvada
perante o peso imenso da sociedade. E o meu coração,
que é Dela também, estilhaçado, a sorrir-se de aborrecimento
e nojo. E a alma acordou, esticou os filamentos entorpecidos
como quem acorda de um sonho demasiadamente longo,
a alma acordou, segurou o coração estilhaçado e eu entreguei-me
a Ela. E com os seus olhos tudo o que vi foi o comum.
Não me quedarei nua a teus pés,
os olhos sem véus, não mais.
A realidade sempre foi mais fria que o sonho e as cores fortes.
Da ilusão.
As cores com que embelezei a tua pele, vesti o teu corpo.
Recriei-te em mim e em mim não podias jamais ser outro
que não o homem mistério-eternidade.
O menino pertença-abismo.
Do teu sorriso recriei um arco-íris.
Das tuas mãos recriei todo um abrigo.
O espaço onde escondi todos os meus segredos
e evidências. De ti renasci e morri todas as noites
e todos os dias, marcada pela doença e pela intensidade
das emoções. E o tempo deixou de ser tempo.E a terra deixou de ser terra.
E o dia nasceu em que os meus olhos não te reconheceram.
Em que os segredos te brotaram das impaciências
e vieram morrer-me aos pés, secos, negligenciados.
Era eu a fitar-te. Era Ela. Ela, que é imensa e fria.
Que tem olhos de fénix. Que tem asas de demónio.
Ela, que perfurou a ilusão com que te vesti e eras tão tu,
ali, tão banal, tão humano?
O coração estilhaçou-se-me em mil pedaços, a tua voz
a afirmar que é tudo normal, que noutros mundos,
outras mulheres também geravam desinteresse.
E o meu coração estilhaçado, ela altiva a observar-te,
a rir-se, a achar tudo tão ridículo, a murmurar-me que afinal
tu sempre foste apenas mais um pássaro a esvoaçar
dentro de uma gaiola. A tua mente curvada
perante o peso imenso da sociedade. E o meu coração,
que é Dela também, estilhaçado, a sorrir-se de aborrecimento
e nojo. E a alma acordou, esticou os filamentos entorpecidos
como quem acorda de um sonho demasiadamente longo,
a alma acordou, segurou o coração estilhaçado e eu entreguei-me
a Ela. E com os seus olhos tudo o que vi foi o comum.
Não me quedarei nua a teus pés,
os olhos sem véus, não mais.
A realidade sempre foi mais fria que o sonho e as cores fortes.
Da ilusão.
sexta-feira, julho 02, 2010
(in)Dignidade indigente de te querer
Quase esqueço o que me trouxe até aqui. Percorro-me entre imagens desfocadas e ecos infinitos tentando perceber se o que tiro daqui, de mim, é algo melhor do que mostro ser. Esgravato-me, esgravato o meu ser como se um toxicodependente fosse, um viciado a ressacar pela próxima dose, invadido de comichões sob a pele ardente, ele coça os braços onde tantas, infinitas vezes se espeta a dar o corpo à libertação das dores que o atormentam. Assim me sulco. Quanto mais escavo nestes túneis mais vontade tenho de o fazer. Passo por fantasmas, pesadelos, medos. Olho-os de cima. Aqui dentro, sou superior a eles, dentro de mim. Sou eu que os comando, atirando-os a um canto. Coloco-lhes trelas e açaimes e passeio-me com eles, por entre as veias. Secas. Torno-me resiliente, imune aos seus ataques. Chego mesmo a pensar que estas sombras não são minhas, porque as vejo numa película a preto e branco.
Quase esqueço o que me trouxe até mim. Quem era antes de me tornar no que me tornei. Preciso, quase, de uma dose psicadélica de emoções para me revisitar e me segredar ao ouvido que aproveite. Aproveita ser princesa, ser mágica, heroína. Aproveita para ser feliz, ser menina. Um dia nada mais serás que um saco de ossos, pele e carne, coberto de capas negras, demasiado pesadas para as suportares. Olho-me ao espelho e não reconheço a mulher em que me tornei, a adolescente que nunca fui e a criança que deixei de ser. Pergunto-me em que momento exacto terei vindo habitar um corpo que não é meu, vivendo uma vida que não estava destinada para mim? Deixo de pensar nestas falhas quando apareces.
Tapa os olhos. Vais ter de os tapar se me quiseres sentir chegar. Não verás as falhas, os teus olhos não se vão encontrar com tudo isto que trago em mim, sujo, morto, negro. Não terás de confirmar o que te digo, que o sorriso me abandonou ainda muito antes de tu chegares. Mantém-me como me tens agora, uma imagem perfeita de uma soberana que nunca reinou. Se o dia vier em que imagens não nos cheguem, será o nosso fim. Será o fim de algo intensamente perfeito, estes momentos.
Sabes aquela vontade de sair? Sair e correr para qualquer lado, correr, correr sem parar, sem saber para o que corres, para onde corres? Assim estou eu. Com este desejo de sair de mim e correr até ti. Até te encontrar. Até me veres, de olhos tapados. Mostrar-te que se não sou eu, não é mais ninguém. Penso em ti e tenho dentro do peito um motor de 110 cavalos no momento exacto que lhe pões o pé no acelerador. Inquietação constante. Esta fome de movimentos, de nunca conseguir estar parada, nunca, nunca. Penso em ti, e já sem sequer o notar, a minha respiração descontrola-se e só me apercebo do facto quando o calor se espalha pelo corpo. Esta temperatura ardente de vontade de arrancar roupas, gritar, correr, correr até ti.
A forma como te quero é indigna. A intensidade com que te desejo, quando discutimos coisas banais, chega a ser imprópria de tão pura que é. Pureza. Desejo no seu estado mais básico, animalesco. Este desejo de me cravar em ti com unhas e dentes, ânsia de te ter a invadir o meu espaço, a transpores o limite imaginário por mim criado para afastar todos. Para ti é apenas mais um desafio, daqueles que se aceitam tantas vezes sem sabermos o que nos espera, sem medo, apenas com curiosidade.
Quero-te aqui. Ali. Em mim. Quero-te tanto...
Quase esqueço o que me trouxe até mim. Quem era antes de me tornar no que me tornei. Preciso, quase, de uma dose psicadélica de emoções para me revisitar e me segredar ao ouvido que aproveite. Aproveita ser princesa, ser mágica, heroína. Aproveita para ser feliz, ser menina. Um dia nada mais serás que um saco de ossos, pele e carne, coberto de capas negras, demasiado pesadas para as suportares. Olho-me ao espelho e não reconheço a mulher em que me tornei, a adolescente que nunca fui e a criança que deixei de ser. Pergunto-me em que momento exacto terei vindo habitar um corpo que não é meu, vivendo uma vida que não estava destinada para mim? Deixo de pensar nestas falhas quando apareces.
Tapa os olhos. Vais ter de os tapar se me quiseres sentir chegar. Não verás as falhas, os teus olhos não se vão encontrar com tudo isto que trago em mim, sujo, morto, negro. Não terás de confirmar o que te digo, que o sorriso me abandonou ainda muito antes de tu chegares. Mantém-me como me tens agora, uma imagem perfeita de uma soberana que nunca reinou. Se o dia vier em que imagens não nos cheguem, será o nosso fim. Será o fim de algo intensamente perfeito, estes momentos.
Sabes aquela vontade de sair? Sair e correr para qualquer lado, correr, correr sem parar, sem saber para o que corres, para onde corres? Assim estou eu. Com este desejo de sair de mim e correr até ti. Até te encontrar. Até me veres, de olhos tapados. Mostrar-te que se não sou eu, não é mais ninguém. Penso em ti e tenho dentro do peito um motor de 110 cavalos no momento exacto que lhe pões o pé no acelerador. Inquietação constante. Esta fome de movimentos, de nunca conseguir estar parada, nunca, nunca. Penso em ti, e já sem sequer o notar, a minha respiração descontrola-se e só me apercebo do facto quando o calor se espalha pelo corpo. Esta temperatura ardente de vontade de arrancar roupas, gritar, correr, correr até ti.
A forma como te quero é indigna. A intensidade com que te desejo, quando discutimos coisas banais, chega a ser imprópria de tão pura que é. Pureza. Desejo no seu estado mais básico, animalesco. Este desejo de me cravar em ti com unhas e dentes, ânsia de te ter a invadir o meu espaço, a transpores o limite imaginário por mim criado para afastar todos. Para ti é apenas mais um desafio, daqueles que se aceitam tantas vezes sem sabermos o que nos espera, sem medo, apenas com curiosidade.
Quero-te aqui. Ali. Em mim. Quero-te tanto...
quarta-feira, junho 30, 2010
Quando a realidade se mistura com o sonho.
Entrei em casa como sempre fiz em todos os finais de tarde desde que dobraste aquela esquina. Mas hoje havia algo diferente, um cheiro que a casa não tinha antes de eu sair. Não era da jarra de flores com as Açucenas brancas nem da Erva-cidreira que tinha colhido de manhã. Era aquele cheiro que tinhas cá deixado meses antes, suspenso em pequenas partículas, até este se desvanecer dois ou três dias depois. Por momentos julguei tratar-se de uma partida do meu cérebro, causado por uma tão espessa camada de saudades que trago sempre em mim. Pensei ainda que estivesse a sonhar, um sonho dentro de outro sonho, mas quando as vi à porta do nosso quarto soube que era verdade. Olhei para dentro e ali estavas tu, deitado, uma perna sobre a cama feita e a outra fora do colchão, dobrada, com o pé pousado no chão. Um braço esticado ao longo do corpo e a outra mão sobre o peito. A camisa estava desabotoada até meio, deixava ver por baixo a t-shirt branca, e ainda tinhas um botão entre dois dedos. Adormeceste antes de acabar de te despir.
Não sei ao certo quanto tempo te olhei a dormir, tão calmo... Até as tuas noites deixaram de ser calmas, entre pesadelos e suores. E ver-te assim dormir sem teres os olhos sob as pálpebras num frenesim constante, fui incapaz de te acordar. Descalcei-me e deixei os meus sapatos à entrada, junto com as tuas botas pretas.
Deitei-me a teu lado e, com cuidado para não te acordar, passei o meu braço sobre o teu peito e encostei a minha boca ao teu pescoço quente. O teu cheiro, sobreposto ao da camisa passada a ferro e ao aftershave, sempre foi o melhor.
"A única coisa que te dou sem demónios", dizes. "Se são teus, és tu. São meus também"
Acordei com cheiro das Açucenas brancas na jarra no móvel do hall de entrada porque, estranhamente, como não é hábito, havia dormido com a porta do quarto ligeiramente aberta.
Não sei ao certo quanto tempo te olhei a dormir, tão calmo... Até as tuas noites deixaram de ser calmas, entre pesadelos e suores. E ver-te assim dormir sem teres os olhos sob as pálpebras num frenesim constante, fui incapaz de te acordar. Descalcei-me e deixei os meus sapatos à entrada, junto com as tuas botas pretas.
Deitei-me a teu lado e, com cuidado para não te acordar, passei o meu braço sobre o teu peito e encostei a minha boca ao teu pescoço quente. O teu cheiro, sobreposto ao da camisa passada a ferro e ao aftershave, sempre foi o melhor.
"A única coisa que te dou sem demónios", dizes. "Se são teus, és tu. São meus também"
Acordei com cheiro das Açucenas brancas na jarra no móvel do hall de entrada porque, estranhamente, como não é hábito, havia dormido com a porta do quarto ligeiramente aberta.
sábado, junho 26, 2010
Pensamentos absurdos
Deveríamos vir munidos de peças sobressalentes. De cada vez que algo em nós falhasse bastaria proceder à sua devida substituição. Se partíssemos um braço, colocaríamos o sobressalente até o original estar de novo totalmente curado. Naqueles dias em que até o nosso cérebro está demasiado cansado para funcionar correctamente era substituí-lo por um novo. Em branco, uma tábua rasa. Como seria acordar um dia e sermos de novo o início? Começar mais uma vez como uma folha em branco.
Sempre que sentíssemos que a qualquer momento o nosso coração se fosse desfazer em pó com a dor, deveria ser-nos possível tirá-lo do peito e substituí-lo por outro. Quem sabe um mais resistente. Seríamos capazes de suportar tudo, as coisas absurdas, as coisas que nos arrancam chorares desesperantes durante a madrugada, abafados pelas nossas mãos, pressionadas com tanta força que nos prendem a respiração. Seríamos capazes de fechar os olhos ao que nos fazem, mesmo não sabendo que o fazem. Sabermos à partida que independentemente do que viesse haveria sempre a possibilidade de arrancar esta coisa que temos cá dentro. Atirá-la para um canto, esquecendo-a de vez. De vez. Seria tão bom não sentir, não achar, não perder.
Deveriam inventar humanos que viessem apetrechados com um kit de reparação. Para acabar de vez com os choros nocturnos. E os diurnos também.
Sempre que sentíssemos que a qualquer momento o nosso coração se fosse desfazer em pó com a dor, deveria ser-nos possível tirá-lo do peito e substituí-lo por outro. Quem sabe um mais resistente. Seríamos capazes de suportar tudo, as coisas absurdas, as coisas que nos arrancam chorares desesperantes durante a madrugada, abafados pelas nossas mãos, pressionadas com tanta força que nos prendem a respiração. Seríamos capazes de fechar os olhos ao que nos fazem, mesmo não sabendo que o fazem. Sabermos à partida que independentemente do que viesse haveria sempre a possibilidade de arrancar esta coisa que temos cá dentro. Atirá-la para um canto, esquecendo-a de vez. De vez. Seria tão bom não sentir, não achar, não perder.
Deveriam inventar humanos que viessem apetrechados com um kit de reparação. Para acabar de vez com os choros nocturnos. E os diurnos também.
sexta-feira, junho 25, 2010
A Corset pergunta...
Questão 1: Tens medo de quê?
Tenho medo de um dia vir a pensar que já não tenho nada a perder.
Questão 2: Tens algum guilty pleasure?
Comida!
Questão 3: Farias alguma loucura por amor/amizade?
Não me imagino a não fazer pequenas (algumas grandes) loucuras... Querem testemunhas?
Questão 4: Qual o teu maior sonho? Responder paz, amor e felicidade é trapacear ;)
Se eu fosse Miss Universo gostava que houvesse imensa pa... errr
Não tenho grandes sonhos. Alimento-me de realidade e o resto... o resto é imaginar aquilo que um dia há-de ser.
Questão 5: Nos momentos de tristeza/abatimento, isolas-te ou preferes colo?
Prefiro isolar-me com um bom colo.
Questão 6: Entre uma pessoa extrovertida e uma introvertida, qual seria a escolha abstracta?
Extrovertida.
Questão 7: Sentes-te bem na vida, ou há insatisfação além do desejável?
Insatisfeita por natureza. Optimista por necessidade.
Questão 8: Consideras-te mais crítico ou ponderado? Sabendo, contudo, que existem críticas ponderadas.
Pouco ponderada no que diz respeito a opinar ou criticar. Com alguma falta de tacto, infelizmente. Se não querem a minha opinião sincera não a peçam.
Questão 9: Julgas-te impulsivo, de fazer filmes, paciente...? Define-te, de uma forma geral.
Impulsiva. Impaciente. Explosiva. Ligeiramente arrogante. Cinema? Cinema e teatro! Ah! Se querem saber se tenho alguma qualidade no meio disto tudo... falem com quem me conhece.
Questão 10: Consegues desejar mal a alguém e, normalmente, concretizar? Sê sincero.
Consigo desejar. Quanto à concretização, muitas vezes, basta esperar e ver.
Questão 11: Contens-te publicamente em manifestações de afecto (abraçar, beijar, rir alto...)?
Sou contida quando a ocasião e/ou local o exige.
Questão 12: Qual o teu lado mais acentuado? Orgulho ou teimosia?
Ambos.
Questão 13: Casamentos homossexuais e direito à adopção?
Casamento, sim. Adopção, por enquanto, não.
Questão 14: O que te faz continuar o blogue?
Teimosia. Serve?
Questão 15: O número de visitas e comentários influencia o teu blogue?
Ele diz que fica muito contente.
Questão 16: Na tua blogosfera pessoal e ideal, como seria?
Não gosto de utopias...
Questão 17: Devia haver encontros de bloguistas? Caso sim, em que moldes? Caso não, porquê?
Na minha opinião, um encontro pressupõe que duas ou mais pessoas, de alguma forma, se juntem e troquem ideias. Por isso, sim. Se existirem pessoas dispostas a fazê-lo acho bem.
Questão 18: Sabes brincar contigo e rir com quem brinca contigo? Sem ironias.
Sim. Mas também choro. De tanto rir...
Questão 19: Quais são os teus maiores defeitos?
Aiii Mas eu não tenho feito outra coisa que não fosse enumerar os meus defeitos!
Questão 20: Em que aspectos te elogiam e/ou achas ter potencialidades e mesmo orgulho nisso?
Acho que demorei tanto tempo a responder a esta que o tempo expirou...
Questão 21: Entre uma televisão, um computador e um telemóvel, o que escolherias?
Pc com internet.
Questão 22: Elogias ou guardas para ti?
Depende das pessoas.
Questão 23: Tens humildade suficiente para te desculpar, sem ser indirectamente?
Creio que sim.
Questão 24: Consideras-te, de grosso modo, uma pessoa sensível ou pragmática?
Pragmática.
Questão 25: Perdoas com facilidade?
Não.
Questão 26: Qual o teu maior pesadelo ou o que mais te preocupa?
A perda.
Tenho medo de um dia vir a pensar que já não tenho nada a perder.
Questão 2: Tens algum guilty pleasure?
Comida!
Questão 3: Farias alguma loucura por amor/amizade?
Não me imagino a não fazer pequenas (algumas grandes) loucuras... Querem testemunhas?
Questão 4: Qual o teu maior sonho? Responder paz, amor e felicidade é trapacear ;)
Se eu fosse Miss Universo gostava que houvesse imensa pa... errr
Não tenho grandes sonhos. Alimento-me de realidade e o resto... o resto é imaginar aquilo que um dia há-de ser.
Questão 5: Nos momentos de tristeza/abatimento, isolas-te ou preferes colo?
Prefiro isolar-me com um bom colo.
Questão 6: Entre uma pessoa extrovertida e uma introvertida, qual seria a escolha abstracta?
Extrovertida.
Questão 7: Sentes-te bem na vida, ou há insatisfação além do desejável?
Insatisfeita por natureza. Optimista por necessidade.
Questão 8: Consideras-te mais crítico ou ponderado? Sabendo, contudo, que existem críticas ponderadas.
Pouco ponderada no que diz respeito a opinar ou criticar. Com alguma falta de tacto, infelizmente. Se não querem a minha opinião sincera não a peçam.
Questão 9: Julgas-te impulsivo, de fazer filmes, paciente...? Define-te, de uma forma geral.
Impulsiva. Impaciente. Explosiva. Ligeiramente arrogante. Cinema? Cinema e teatro! Ah! Se querem saber se tenho alguma qualidade no meio disto tudo... falem com quem me conhece.
Questão 10: Consegues desejar mal a alguém e, normalmente, concretizar? Sê sincero.
Consigo desejar. Quanto à concretização, muitas vezes, basta esperar e ver.
Questão 11: Contens-te publicamente em manifestações de afecto (abraçar, beijar, rir alto...)?
Sou contida quando a ocasião e/ou local o exige.
Questão 12: Qual o teu lado mais acentuado? Orgulho ou teimosia?
Ambos.
Questão 13: Casamentos homossexuais e direito à adopção?
Casamento, sim. Adopção, por enquanto, não.
Questão 14: O que te faz continuar o blogue?
Teimosia. Serve?
Questão 15: O número de visitas e comentários influencia o teu blogue?
Ele diz que fica muito contente.
Questão 16: Na tua blogosfera pessoal e ideal, como seria?
Não gosto de utopias...
Questão 17: Devia haver encontros de bloguistas? Caso sim, em que moldes? Caso não, porquê?
Na minha opinião, um encontro pressupõe que duas ou mais pessoas, de alguma forma, se juntem e troquem ideias. Por isso, sim. Se existirem pessoas dispostas a fazê-lo acho bem.
Questão 18: Sabes brincar contigo e rir com quem brinca contigo? Sem ironias.
Sim. Mas também choro. De tanto rir...
Questão 19: Quais são os teus maiores defeitos?
Aiii Mas eu não tenho feito outra coisa que não fosse enumerar os meus defeitos!
Questão 20: Em que aspectos te elogiam e/ou achas ter potencialidades e mesmo orgulho nisso?
Acho que demorei tanto tempo a responder a esta que o tempo expirou...
Questão 21: Entre uma televisão, um computador e um telemóvel, o que escolherias?
Pc com internet.
Questão 22: Elogias ou guardas para ti?
Depende das pessoas.
Questão 23: Tens humildade suficiente para te desculpar, sem ser indirectamente?
Creio que sim.
Questão 24: Consideras-te, de grosso modo, uma pessoa sensível ou pragmática?
Pragmática.
Questão 25: Perdoas com facilidade?
Não.
Questão 26: Qual o teu maior pesadelo ou o que mais te preocupa?
A perda.
quarta-feira, junho 23, 2010
segunda-feira, junho 21, 2010
Voltei a sonhar-te... eras tu?
Não conseguia ver-te o rosto mas senti o teu sabor e o teu cheiro.
Provocavas-me em gestos de sedução, tocavas-me no peito com as tuas mãos como se me quisesses avastar.o meu cabelo escondia-te o rosto que nunca vi mas que tento imaginar a cada momento em que te sonho.
Voltei a sonhar-te... eras tu?
Aquele que me lê os pensamentos... aquele que me sente sem me tocar.
Adorei a forma como me seduzias com o leve enrolar de pernas na minha cintura, a forma como me pegavas a nuca e puxavas-me até aos teus lábios e era nesse momento em que te podia ver o rosto... eu fechava os olhos e deixava-me envolver pelo doce mel que me davas.
Voltei a sonhar-te... eras tu?
Senti o calor do teu corpo, a fome de me teres e fazeres aquilo que mais querias e sem saber como rendia-me a cada gesto teu, a cada movimento... rendi-me as tuas mãos finas de dedos delgados que me acariciavam os lábios, que me tocavam no peito que me arranhavam as costas...
Voltei a sonhar-te... eras tu?!
A forma como respiravas a cada momento que te tocava... a cada momento que te dava prazer.
A forma como a tua respiração acelerava a cada investida que te fazia de forma meiga mas firme, como de um sabor acri-doce se tratasse... e ouvia-te a segredar palavras... aquelas que tanto gosto de ouvir e no momento em te olhava de soslaio...
Voltei a sonhar-te... eras tu!!!
Não conseguia ver-te o rosto mas senti o teu sabor e o teu cheiro.
Provocavas-me em gestos de sedução, tocavas-me no peito com as tuas mãos como se me quisesses avastar.o meu cabelo escondia-te o rosto que nunca vi mas que tento imaginar a cada momento em que te sonho.
Voltei a sonhar-te... eras tu?
Aquele que me lê os pensamentos... aquele que me sente sem me tocar.
Adorei a forma como me seduzias com o leve enrolar de pernas na minha cintura, a forma como me pegavas a nuca e puxavas-me até aos teus lábios e era nesse momento em que te podia ver o rosto... eu fechava os olhos e deixava-me envolver pelo doce mel que me davas.
Voltei a sonhar-te... eras tu?
Senti o calor do teu corpo, a fome de me teres e fazeres aquilo que mais querias e sem saber como rendia-me a cada gesto teu, a cada movimento... rendi-me as tuas mãos finas de dedos delgados que me acariciavam os lábios, que me tocavam no peito que me arranhavam as costas...
Voltei a sonhar-te... eras tu?!
A forma como respiravas a cada momento que te tocava... a cada momento que te dava prazer.
A forma como a tua respiração acelerava a cada investida que te fazia de forma meiga mas firme, como de um sabor acri-doce se tratasse... e ouvia-te a segredar palavras... aquelas que tanto gosto de ouvir e no momento em te olhava de soslaio...
Voltei a sonhar-te... eras tu!!!
domingo, junho 20, 2010
Metamorfose
"Se pudesse abrir os teus espaços, decifrar-te a imensidão dos segredos, a nulidade da perspectiva... Se pudesse tão só descobrir o momento que transformou a regularidade dos meus olhos na matéria fragmentada dos teus espelhos...Existem desejos pequenos e imutáveis que se transformam nas linhas que definem o indefinível.
Tu existes no desejo de saber a natureza do espelho que sou eu.
O reflexo que te tornaste tu. Tu... que tentas compreender a forma como o reflexo que viste em mim se tornou parte de ti.
Adaptaste as palavras e os meios-sorrisos ao homem que foste nele, tornaste-te a promessa cumprida das mãos que nunca se fecham, que ficam, que permanecem profanadas de pássaros lânguidos.
Tu foste mais, foste menos que Tu em mim.
Tu cresceste dentro e para dentro do Espelho.
Criaste fios, cordões umbilicais, intermináveis espasmos de luz. Tornaste-te o Reflexo. Deixaste de ser Tu. Metamorfoseaste-te nas Leis com que criei o teu corpo, os teus olhos e os teus silêncios.
Renasceste. No Reflexo que criámos no Espelho que há em mim."
O fechar do pano
Vieste.
Vens sempre no cair da noite, no fechar do pano, no final da estrada.
Vi-te.
Vejo-te sempre. Nu. Delgado. Os braços abertos numa tentativa vã de abraçar o mundo e uma felicidade e serenidade que perdeste dentro de ti. Os braços abertos numa imagem congelada de um abraço a ti mesmo e ao menino dentro do espelho.
Procuro-te. Procuro-te em mim e sem surpresas encontro-te. Abraças o teu eu que vive em mim.
Pergunto-me. Tantas perguntas. Tantas incertezas. Pergunto-te. Onde está a linha que divide o amor deste sentimento inútil que acalento no peito.
Que nasce em mim. Que emana em ti. Que me devolves, maduro, vermelho, trincado e ainda teu.
As linhas que te cosem no meu regaço libertam-se e amarram-me a ti. Indefinidamente. Penso. Penso que poderia ter feito mil e uma cordas com as quais me resgatarias de dentro do meu coração. Penso que poderia ter-te trazido em mim. Uma poça. De esperma. De suor. De encanto. De olhos vidrados a beberem-te a voz. Enquanto me contas uma estória. Duas histórias. A tua vida inteira. Numa noite. Numa voz quebrada e quente.
Pergunto-me porque estarás aí. Porque não estás aqui. Porque te tirei de mim, uma criança indefesa e necessitada. E ainda assim um homem. Um. Homem.
Rasguei-te. Rasgo-te todas as noites para beber de ti o néctar da vida. E tu amamentas-me. De curiosidades.
Revelas-te. Escondes-te. Brincas com os meus cabelos.
A noite é célere e apaga de mim as tuas pegadas. Deixa-me entregue à rotina de viver uma vida da outra que mora em mim. A noite é tão célere.
Apaga-te de mim e vive. Vive em peitos que não os meus, cresce em ventres que não o meu, suga lábios que não os meus, nasce de outro alguém que não eu...
Não eu.
Nunca sou eu quando não estou em ti.
Vens sempre no cair da noite, no fechar do pano, no final da estrada.
Vi-te.
Vejo-te sempre. Nu. Delgado. Os braços abertos numa tentativa vã de abraçar o mundo e uma felicidade e serenidade que perdeste dentro de ti. Os braços abertos numa imagem congelada de um abraço a ti mesmo e ao menino dentro do espelho.
Procuro-te. Procuro-te em mim e sem surpresas encontro-te. Abraças o teu eu que vive em mim.
Pergunto-me. Tantas perguntas. Tantas incertezas. Pergunto-te. Onde está a linha que divide o amor deste sentimento inútil que acalento no peito.
Que nasce em mim. Que emana em ti. Que me devolves, maduro, vermelho, trincado e ainda teu.
As linhas que te cosem no meu regaço libertam-se e amarram-me a ti. Indefinidamente. Penso. Penso que poderia ter feito mil e uma cordas com as quais me resgatarias de dentro do meu coração. Penso que poderia ter-te trazido em mim. Uma poça. De esperma. De suor. De encanto. De olhos vidrados a beberem-te a voz. Enquanto me contas uma estória. Duas histórias. A tua vida inteira. Numa noite. Numa voz quebrada e quente.
Pergunto-me porque estarás aí. Porque não estás aqui. Porque te tirei de mim, uma criança indefesa e necessitada. E ainda assim um homem. Um. Homem.Rasguei-te. Rasgo-te todas as noites para beber de ti o néctar da vida. E tu amamentas-me. De curiosidades.
Revelas-te. Escondes-te. Brincas com os meus cabelos.
A noite é célere e apaga de mim as tuas pegadas. Deixa-me entregue à rotina de viver uma vida da outra que mora em mim. A noite é tão célere.
Apaga-te de mim e vive. Vive em peitos que não os meus, cresce em ventres que não o meu, suga lábios que não os meus, nasce de outro alguém que não eu...
Não eu.
Nunca sou eu quando não estou em ti.
sábado, junho 19, 2010
Morte Nocturna
Não te sinto na escuridão do quarto.
Na imensidão da noite.
Sei-te disperso em almas e corpos
que não os meus.
Sei-te nas linhas de outros nomes,
outros rostos, outras cadências.
Não estás aqui.
Definitivamente.
O coração que batia em uníssono
com o meu é agora um balão oco
no espaço vazio que reservei para ti.
Bebo cálices com a Lua
enquanto aguardo que regresses.
Hoje estás demorado.
Quedas-te certamente em lábios,
braços, dedos. És dela como nunca
foste meu. O cordão umbilical que nos une
apodrece a cada dia.
Profecia, ameaça cósmica,
sereno cair do pano.
Diz-me apenas num sussurro:
"onde me morres no passar da noite?"
Na imensidão da noite.
Sei-te disperso em almas e corpos
que não os meus.Sei-te nas linhas de outros nomes,
outros rostos, outras cadências.
Não estás aqui.
Definitivamente.
O coração que batia em uníssono
com o meu é agora um balão oco
no espaço vazio que reservei para ti.
Bebo cálices com a Lua
enquanto aguardo que regresses.
Hoje estás demorado.
Quedas-te certamente em lábios,
braços, dedos. És dela como nunca
foste meu. O cordão umbilical que nos une
apodrece a cada dia.
Profecia, ameaça cósmica,
sereno cair do pano.
Diz-me apenas num sussurro:
"onde me morres no passar da noite?"
quinta-feira, junho 17, 2010
Pshiuuuu!!!
Entras e o coração dá um saltinho... pronto, não vamos diminuir o que é. Um salto. Ficas, permaneces. Abro a janela, fecho a janela. Distraio-me. Não, ... tento distrair-me. Espreito. Ainda lá estás. Abro a janela, fecho a janela. Os minutos passam; as horas também. E nada. Será que devo...? Não, melhor não. Torno a espreitar. Ainda lá estás. E eis que te vejo passar de verde a cinzento.
ESPERA!!! Não me deste tempo suficiente! Contagiaste-me com a tua indecisão. Agora sou eu que não tenho coragem. E queria tanto perguntar-te...
Que tens feito ultimamente? Como te sentes? O que vai na tua cabeça nestes últimos tempos? Tens saído? O trabalho como tem corrido? Já conseguiste resolver mais alguma coisa? Tens dormido bem? Tens passeado muito? Já te recompuseste?
Algumas das perguntas que já não posso fazer são as anteriores.
As que não posso nem devo fazer são: O teu status quo mudou mesmo assim tanto? Não sentes nem um bocadinho a minha falta?
O teu silêncio impôs-se. Não tenho capacidade de ultrapassar um muro tão alto. O teu silêncio devorou-me. Quebrou-me as asas. O teu silêncio não me dá o direito de perguntar seja o que for. O teu silêncio que eu tomei como meu matou-me a fala.
E o meu silêncio é apenas pura cobardia disfarçada de respeito a ti.
Nunca me pediste que me calasse. Mas esqueceste-te de me pedir que nunca deixasse de te falar... e foi este o teu maior silêncio.
ESPERA!!! Não me deste tempo suficiente! Contagiaste-me com a tua indecisão. Agora sou eu que não tenho coragem. E queria tanto perguntar-te...
Que tens feito ultimamente? Como te sentes? O que vai na tua cabeça nestes últimos tempos? Tens saído? O trabalho como tem corrido? Já conseguiste resolver mais alguma coisa? Tens dormido bem? Tens passeado muito? Já te recompuseste?Algumas das perguntas que já não posso fazer são as anteriores.
As que não posso nem devo fazer são: O teu status quo mudou mesmo assim tanto? Não sentes nem um bocadinho a minha falta?
O teu silêncio impôs-se. Não tenho capacidade de ultrapassar um muro tão alto. O teu silêncio devorou-me. Quebrou-me as asas. O teu silêncio não me dá o direito de perguntar seja o que for. O teu silêncio que eu tomei como meu matou-me a fala.
E o meu silêncio é apenas pura cobardia disfarçada de respeito a ti.
Nunca me pediste que me calasse. Mas esqueceste-te de me pedir que nunca deixasse de te falar... e foi este o teu maior silêncio.
De Nada ...
Ali, foste um gigante perante os meus míseros cinco centímetros de altura. Nenhum buraco estava próximo o suficiente para o qual me pudesse ter arrastado sem te dar a oportunidade de me olhares. Estavas tão incrivelmente alto e simpático e natural e conversador e ... indiferente.
As tuas palavras entravam-me pelo cérebro como chicotadas agudas, daquelas em que o som se propaga durante vários segundos. Apetecia-me fugir e tinha os pés pregados ao chão e o desgosto estampado na cara. A melhor das actrizes suicidou-se ali à tua frente, enquanto tu, impávido e sereno, te comportavas como se nada fosse, como se nos tivéssemos visto no dia anterior, como se eu fosse outra qualquer. Ias respondendo às solicitações dos que nos rodeavam e brincando, enquanto eu, mortificada, de pernas vacilantes e olhos perdidos, tentava encontrar a minha postura habitual, que tinha acabado de ser atropelada por ti à tua chegada e ali perecia em agonia. As palavras não me ocorriam, o sorriso fugiu assustado, o cérebro não respondia ... só os olhos viam. E recusavam-se a processar a informação.
Naquele minuto, tornei-me uma disléxica emocional, um ermita em total reclusão, uma abandonada pela sorte e, enquanto tu falavas com aquela que, aparentemente, outrora houvera sido eu, a sombra de mim tentava equilibrar-se em cima dos saltos que, amaldiçoadamente, naquele dia não usava.No meio de todo aquele celeuma, tentei buscar em mim a razão pela qual cessei a minha existência naquele momento. E, durante a minha busca até ali infundada, os meus olhos inúteis tentavam agarrar uma réstia de qualquer coisa nos teus e nada encontraram. Tão gentil, tão socialmente correcto e aprazível, tão acessível ... tão inacreditavelmente natural. Nem um grão de nervosismo, de embaraço ou de incómodo. Imaculado. E eu, a geralmente forte e inabalável, a tentar agarrar o coração que insistia em descer-me pela dignidade abaixo. Subtilmente, num dos muitos momentos em que te distraíram, consegui apanhar o desgosto, a tristeza, aquela dorzinha aguda, a estranheza e a criança de quatro anos que se agarrava envergonhada às pernas da mãe, que tentavam escapulir-me pelos poros, e estrangulei-as nas mãos que apertava com força dentro dos bolsos.
Só quando vocalizaste a despedida e te começaste a afastar, encontrei a resposta para o que tinha tentado perceber.
Ao dar-te espaço, perdi-te para a realidade. E, apesar da dura evidência, enquanto desaparecias no horizonte, tentei ler-te o andar, como se ele me pudesse contradizer tudo o que tinha acabado de constatar. Fiquei prostrada, lívida e com as unhas marcadas nas palmas das mãos, enquanto tu, de passo firme e decidido, me informavas da minha nulidade em ti e me davas a estranha certeza de ser a última vez que nos cruzávamos.
As tuas palavras entravam-me pelo cérebro como chicotadas agudas, daquelas em que o som se propaga durante vários segundos. Apetecia-me fugir e tinha os pés pregados ao chão e o desgosto estampado na cara. A melhor das actrizes suicidou-se ali à tua frente, enquanto tu, impávido e sereno, te comportavas como se nada fosse, como se nos tivéssemos visto no dia anterior, como se eu fosse outra qualquer. Ias respondendo às solicitações dos que nos rodeavam e brincando, enquanto eu, mortificada, de pernas vacilantes e olhos perdidos, tentava encontrar a minha postura habitual, que tinha acabado de ser atropelada por ti à tua chegada e ali perecia em agonia. As palavras não me ocorriam, o sorriso fugiu assustado, o cérebro não respondia ... só os olhos viam. E recusavam-se a processar a informação.Naquele minuto, tornei-me uma disléxica emocional, um ermita em total reclusão, uma abandonada pela sorte e, enquanto tu falavas com aquela que, aparentemente, outrora houvera sido eu, a sombra de mim tentava equilibrar-se em cima dos saltos que, amaldiçoadamente, naquele dia não usava.No meio de todo aquele celeuma, tentei buscar em mim a razão pela qual cessei a minha existência naquele momento. E, durante a minha busca até ali infundada, os meus olhos inúteis tentavam agarrar uma réstia de qualquer coisa nos teus e nada encontraram. Tão gentil, tão socialmente correcto e aprazível, tão acessível ... tão inacreditavelmente natural. Nem um grão de nervosismo, de embaraço ou de incómodo. Imaculado. E eu, a geralmente forte e inabalável, a tentar agarrar o coração que insistia em descer-me pela dignidade abaixo. Subtilmente, num dos muitos momentos em que te distraíram, consegui apanhar o desgosto, a tristeza, aquela dorzinha aguda, a estranheza e a criança de quatro anos que se agarrava envergonhada às pernas da mãe, que tentavam escapulir-me pelos poros, e estrangulei-as nas mãos que apertava com força dentro dos bolsos.
Só quando vocalizaste a despedida e te começaste a afastar, encontrei a resposta para o que tinha tentado perceber.
Ao dar-te espaço, perdi-te para a realidade. E, apesar da dura evidência, enquanto desaparecias no horizonte, tentei ler-te o andar, como se ele me pudesse contradizer tudo o que tinha acabado de constatar. Fiquei prostrada, lívida e com as unhas marcadas nas palmas das mãos, enquanto tu, de passo firme e decidido, me informavas da minha nulidade em ti e me davas a estranha certeza de ser a última vez que nos cruzávamos.
Horas V
Enchi o copo depois de saíres. O bordo do copo tinha a marca dos teus lábios e eu num ritual perverso coloquei aí os meus como se te quisesse roubar o beijo que não tenho coragem. Fechei os olhos, como contar-te o prazer quando passei a minha língua no vidro no desejo de te trazer até mim. Irritei-me por não conseguir ter a capacidade racional para te definir um sabor… e a revolta era apenas um eufemismo, porque a razão da irritação deveria ser a irresponsabilidade do pulsar do coração.
Atirei o copo, quase que o parti, talvez – sempre o talvez - na negação da minha fraqueza, na luxúria de um gesto que noutras alturas diria de demente e que somente doente consigo tolerar. E sim, preciso acreditar que estou doente para conseguir outorgar o corpo que me dói e compreender a cura que não pode ser a lógica. Como posso confessar?
À noite consigo colar-te a meu corpo, fazer amor contigo e até consigo ouvir os teus gritos de prazer, mas quando a luz do dia esclarece as horas dos nossos corpos verticais – na distância que nos separa para sempre – tenho a idoneidade de negar-te com a força da certeza da morte dos mortais e julgar-me com a crueldade da Inquisição. A verticalidade das horas recusa-me o prazer do estar contigo e sonega-me a alegria que te sei em estares comigo.
Atirei o copo, quase que o parti, talvez – sempre o talvez - na negação da minha fraqueza, na luxúria de um gesto que noutras alturas diria de demente e que somente doente consigo tolerar. E sim, preciso acreditar que estou doente para conseguir outorgar o corpo que me dói e compreender a cura que não pode ser a lógica. Como posso confessar?
À noite consigo colar-te a meu corpo, fazer amor contigo e até consigo ouvir os teus gritos de prazer, mas quando a luz do dia esclarece as horas dos nossos corpos verticais – na distância que nos separa para sempre – tenho a idoneidade de negar-te com a força da certeza da morte dos mortais e julgar-me com a crueldade da Inquisição. A verticalidade das horas recusa-me o prazer do estar contigo e sonega-me a alegria que te sei em estares comigo.
Sinto-me...
Não sei que horas serão. Caminho sem pressa, apenas pelo prazer de sentir o movimento do corpo que parece cortar o ar por onde passa. Páro e olho para trás. A aldeia está mais distante, mas continuo no meu caminho, o caminho que vou fazendo à medida que vou andando. Não sei durante quanto mais tempo ando, de um lado e de outro uma paisagem verdejante e, quase escondida pela vegetação, vejo a água que desce pela montanha enquanto se vai estreitando até terminar num fio de água quase imperceptível. Não fosse a fonte de aspecto grosseiro na qual a água cai, pacientemente, a conta gotas, pareceria que nunca ninguém ali havia estado. Uma pequeno rochedo talhado pela natureza impõem-se timidamente ao lado da tosca fonte. Já devem ter passado por ele muitos anos, mais do que aqueles que consigo contar e ele deve ter-se habituado às visitas à fonte, porque ganhou a forma de um assento. Quantos antes de mim terão passado aqui? Quantos terão descansado nesta sombra? Sento-me. Não tenho urgência de chegar a qualquer lado. Inclino-me sobre a fonte e tenho que juntar as mãos em forma de concha para conseguir beber a escassa água fresca que consegui segurar nas mãos. Daqui consigo ver a aldeia ao longe. As casas espalhadas de forma desordenada pela encosta parecem fazer todo o sentido. Não poderiam estar de outra forma. Aqui e ali, saindo de uma ou outra chaminé, vejo o fumo que se vai desfazendo de encontro ao céu. O sol apareceu sem vergonha e o vento quase nem se sente. Até as árvores lhe são indiferentes. Permanecem impávidas perante o seu sopro. Apenas algumas nuvens se arrastam vagarosamente ao sabor desta brisa amena e inebriante.Gosto desta monotonia... E mesmo que um dia volte a procurar-me nos sítios onde não estou, mesmo que continue a imaginar me de uma forma que não sou, agora estou aqui. Não me sinto errante, não me sinto perdida. Sinto-me.
Sinto invadir-me uma serenidade quente e reconfortante. Sorrio. Finalmente sei. O segredo que julgava estar guardado para lá das portas do universo, inatingível ao entendimento humano, carrego-o comigo. O segredo está em mim. O segredo não está nas minhas escolhas, certas ou erradas, o segredo está no meu livre arbítrio, no poder que tenho de escolher. Agora sinto-me livre, dona de mim, do meu tempo, senhora do meu mundo, agora sou apenas aquela que me penso. Gosto deste silêncio.
E finalmente... o silêncio é apenas silêncio.
terça-feira, junho 15, 2010
sexta-feira, junho 11, 2010
Colisão. Em câmara lenta. Regresso...
Ainda não sei como entraste. Logo eu, que nunca gostei de sentir a casa demasiado cheia. Pessoas, quadros, móveis. Pó. Agradam-me as paredes. Brancas, vermelhas. É como se, na sua imponência, confessassem timidamente coisas passadas. Tudo o que está a mais desvia a atenção daquilo que realmente importa. Também nunca me agradou muito o factor surpresa. As poucas pessoas que recebo em casa são sempre convidadas previamente. Para o caso de não serem... a campainha está ao lado da porta, lá fora, só para o caso de. E tu chegaste sem avisar. Quando me apercebi de ti, estavas cá. Confortavelmente. Surpresa. Olhei para o chão de madeira e não vi malas nem bagagens. Estranhei a familiariedade com que me olhavas, o à vontade com que me descobrias em cada canto meu. Tive medo que me conhecesses, senti-me vacilar dentro de mim, encher-me de incertezas. Tudo mudaria irreversivelmente. Mas aproximaste-te de mim, seguro, e nos teus passos ouvi o respirar das folhas, o vento revolver as entranhas e desalinhar-me o cabelo. Tremi. Quis esconder-me ou fugir, nem sei. Não o fiz. Deixei-me ficar, quieta, com o ritmo do coração descompassado na boca e na cabeça. As pernas trémulas, uma sensação estranha no estômago. Uma mistura de imagens, sons, cheiros invadiu me a alta velocidade. Queria perceber... De alguma forma, descobrir-te a alma em algum lugar. O olhar, atento, tentando desvendar o que se seguiria, ansiando saber que sentimentos carregarias contigo, a que velocidade bateria o coração dentro do peito, que segredos me dirias sem falar. Observei-te silenciosamente, porque qualquer palavra estaria a mais. Apaziguaste-me o coracão e a alma com os olhos e as mãos e, subitamente, notei... Reconheci-te. Sempre te desejara. Sempre tinha esperado a tua chegada, mesmo sem saber quem eras ou como serias. Sempre almejara que acontecesses. E sempre soube que, quando chegasses e apesar de ainda não te conhecer o corpo, me sentiria em casa. Mas até aquilo que desejamos muito pode assustar, ganhar as proporções de um maremoto interior que varre tudo por onde passa, quando nos aparece sem aviso.Poderei ir embora, se preferires, quando quiseres, dizias tu calmamente. Murro no estômago. Súbita vontade de chorar. A minha pequenez. E se eu quisesse que nunca fosses? Não quero que vás... Com os olhos, pedi para ficares.
A minha maior tristeza sempre fora sentir-me uma pessoa avulso. No entanto, tinha a certeza que existias. Sabia, no fundo, que por mais que tentasse esconder-me ou fugir, não conseguiria. A alma sabe sempre o caminho de casa. Ainda não sei como entraste, não sei. Não interessa. Mas um dia ainda me hás-de dizer porque é que não partiste.
quinta-feira, junho 10, 2010
O amor é um lugar estranho

Tu irritas-me, desconcentras-me, mexes comigo e com o meu estômago. Dizes coisas que não fazem sentido, que provavelmente não têm sequer um sentido, dás-me voltas à cabeça, não ages em conformidade, mandas bitaites para o ar e nem pensas que me podes estar a magoar ou sequer a incomodar.
E o que me enerva nem é o que dizes, é a lata com que o dizes. O direito que achas que tens de dizer o que te passa pela cabeça. O direito que achas que tens de isso sequer te passar pela cabeça. Como o direito de propriedade que achas que ainda tens, de me tocar, de me reconhecer ou estranhar o perfume, de me apreciar o corte de cabelo ou a roupa, de olhar para mim, de me provocar, quase de me pedir satisfações, justificações, de me fazer perguntas que me deixam sem resposta. É essa prepotência que me enerva, muito mais do que a minha arrogância a ti.
E o não te poder dizer, porque decido assim, o não te poder esfregar na cara o teu egoísmo, a tua indefinição, o escolher não te atirar nada à cara porque é assim que acho que me mantenho superior, dá-me voltas à cabeça. É coisa para me corroer aos bocadinhos, mas é o meu orgulho e não posso abdicar mais dele.
Jogas baixo, muito baixo, fazes uso da nossa cumplicidade, da intimidade que um dia foi, de coisas que, moralmente, já nem devíamos considerar que existem. Mas existem, claro que existem, até é bom saber que existem, é sinal de que nem tudo se perdeu e muito menos foi em vão. É sinal de que tal como te disse naquela última conversa e tu concordaste, "quando funcionamos, funcionamos muito bem". Mas isso não me consola. Não me consola nem me chega, não podemos viver disso. Não me consolou na altura e não me vai servir de consolo nunca. Não me consola. Confunde-me. É por isso que o amor é um lugar estranho. Não faz sentido.
Carla Vidal®
Desconheço-te
Desconheço a caneta, o destino
e as palavras com que selas
a incapacidade de sentir.
Conheço-te os símbolos, os esgares
E os queixumes. Conheço-te.
Fechas atrás de ti todas as portas,
todas as ausências, apagas
o nome de todas as mulheres
e meninas que abraçaste
Pregas o amor nas esquinas
do teu corpo, pregas os teus passos
na curva do teu sorriso.
Desconheço os teus pés, os rumos
com que enfeitas a tua cama.
Guardo o teu cheiro e o
teu sabor na agressividade
Do retorno. (Res)guardo-te.
Arqueio o corpo na ânsia do afago
que não perdura, no sopro desalentado
da memória, no vasto tropor do meu
coração.
Sinto-te.
Tic Taque.
Tic.
Taque.
Finda mais uma noite em
que a tua voz
não acaricia os meus cabelos.
Carla Vidal®
e as palavras com que selas
a incapacidade de sentir.
Conheço-te os símbolos, os esgares
E os queixumes. Conheço-te.
Fechas atrás de ti todas as portas,
todas as ausências, apagas
o nome de todas as mulheres
e meninas que abraçaste
Pregas o amor nas esquinas
do teu corpo, pregas os teus passos
na curva do teu sorriso.
Desconheço os teus pés, os rumos
com que enfeitas a tua cama.
Guardo o teu cheiro e o
teu sabor na agressividade
Do retorno. (Res)guardo-te.
Arqueio o corpo na ânsia do afago
que não perdura, no sopro desalentado
da memória, no vasto tropor do meu
coração.
Sinto-te.
Tic Taque.
Tic.
Taque.
Finda mais uma noite em
que a tua voz
não acaricia os meus cabelos.
Carla Vidal®
A criação
"Deus criou o homem e viu que este era a prova da sua imperfeição"
Tenho os pés submersos no gelo da água salgada.
A meu lado constroem castelos e criaturas,
dão vida a montes de areia e personagens perdidas.
Trago o corpo e a alma vincados de dias soturnos
e poemas não lidos. Arranquei todos os espelhos
da casa e do quarto. Uma parte ínfima da minha alma
ficou gravada e perdida na face crua do espelho.
Essa parte ínfima foi o estilhaço que rompeu
a continuidade do meu espaço, do meu tempo
e do espasmo que é a criação.
Apago do chão todas as pegadas
de corpos que já não sei,
nomes que esqueci e sorrisos inacabados.
Abro as janelas e arejo o tecido grosso
que forra as camas e os espaços vazios.
Deito-me no chão, o cansaço invisível dos
ossos a rasgar a passividade do meu rosto.
Pressinto a tempestade e o vento.
Pressinto o cinzento e a sede.
Espero por um soluço,
um grito, uma pedra, um vidro, espero
por um tempo e um quadro.
Tenho os pés submersos no gelo da água salgada.
A meu lado constroem castelos e criaturas,
dão vida a montes de areia e personagens perdidas.
Trago o corpo e a alma vincados de dias soturnos
e poemas não lidos. Arranquei todos os espelhos
da casa e do quarto. Uma parte ínfima da minha alma
ficou gravada e perdida na face crua do espelho.
Essa parte ínfima foi o estilhaço que rompeu
a continuidade do meu espaço, do meu tempo
e do espasmo que é a criação.
Apago do chão todas as pegadas
de corpos que já não sei,
nomes que esqueci e sorrisos inacabados.
Abro as janelas e arejo o tecido grosso
que forra as camas e os espaços vazios.
Deito-me no chão, o cansaço invisível dos
ossos a rasgar a passividade do meu rosto.
Pressinto a tempestade e o vento.
Pressinto o cinzento e a sede.
Espero por um soluço,
um grito, uma pedra, um vidro, espero
por um tempo e um quadro.
quarta-feira, junho 09, 2010

Ao retirarem daqui um texto meu e aplicarem numa vossa página tenham o cuidado de saber que todos os textos se encontram protegidos e que eu consigo saber quem e onde foram aplicados....Façam-no mas ao menos tenham ponham lá a autoria do texto tal como eu faço aqui quando os textos não são da minha autoria,porque como devem imaginar todos estes textos são momentos e é muito triste se alguem tem um blog e nem omentos seus tem...
Obrigado
Carla Vidal
segunda-feira, junho 07, 2010
diz!
diz o que te vai no pensamento.
diz o que queres mesmo de mim.
diz!
diz que me queres. que me amas. que precisas de mim.
diz que tenho um sorriso bonito, que te derretes ao vê.lo.
diz!
diz que me queres dar a mão.
que me queres abraçar. [e como eu gosto dos teus abraços...!]
que sou tua! que és meu!
diz o que sabes que quero ouvir.
o que sabes que preciso ouvir.
porque sabes que te quero.
que te desejo.
que preciso de ti. do teu olhar. das tuas palavras. do teu conforto.
diz!
porque sabes que te amo!
e eu sei que sabes!
diz o que queres mesmo de mim.
diz!
diz que me queres. que me amas. que precisas de mim.
diz que tenho um sorriso bonito, que te derretes ao vê.lo.
diz!
diz que me queres dar a mão.
que me queres abraçar. [e como eu gosto dos teus abraços...!]que sou tua! que és meu!
diz o que sabes que quero ouvir.
o que sabes que preciso ouvir.
porque sabes que te quero.
que te desejo.
que preciso de ti. do teu olhar. das tuas palavras. do teu conforto.
diz!
porque sabes que te amo!
e eu sei que sabes!
O que me fascina?
É o facto de olhares para mim e saberes exactamente o que estou a pensar. o que quero!
É dares.me a mão e saberes que fazes de mim outra pessoa. mais feliz!
É saberes o que me irrita, mas mesmo assim, fazeres! só porque sim. porque te apetece!
É saberes que no fim, me dás sempre a volta. me fazes sempre voltar a sorrir...
É saberes mais de mim do que eu, às vezes queria...
domingo, junho 06, 2010
Só assim naquela - deixem-me desabafar antes que morra de Taquicardia!
Aiai caros leitores, se vocês soubessem a conversa surreal que tive esta noite...!! PRECISO DESABAFAR!!!
E porque estou irritada.
E porque há homens que MEU DEUS, uns estalos bem dados sabiaaa tãaaao bem!
E porque me tiras do sério.
E porque és assim.. qualquer coisa de... nem tenho palavras!
E porque ESPERO que OS uses todos, seguidos, com esta e aquela com a mesma, com diferentes, QUERO LÁ SABER.
E porque tomara que te cases com ela, a da camisa branca, a do sonho, a loira, a morena, a boazuda... Pppffff, NÃO me interessa quem!
E porque não são ciúmes! É simplesmente irritação!
E porque já te foste embora há uma hora, mas deixas-me de tal modo que, o que sentia na altura, continuo a sentir agora: ESTOU À BEIRA DE UMA ARRITMIA.
E porque CAGA lá para o trintão! Isso sim são ciúmes!
E porque és ciumento, oh jasus, tanto, tanto!
E porque nem tens razões para isso não é, quer-se dizer...
E porque se não partilhas, ÓPTIMO, pois
EU NÃO SOU RODÍZIO DE PIZZA. ¬¬
Estamos entendidos? Sim?? Fixe! Boa! Porreiro!
Agora vou ali até ao quintal apanhar ar e beber um chá de camomila!!
E rezar, rezar MUITO para que amanhã não me irrites, será muito pedir UM só dia de CALMA?
[E antes que venhas TU ou qualquer outro com termos médicos:
EU SEI que Taquicardia e Arritmia não são a mesma coisa!!!
São opostos até, CERTO?]
[E não preciso que ELE me faça massagens! Se quiser, sei fazê-las MUITO bem sozinha!]
E porque estou irritada.
E porque há homens que MEU DEUS, uns estalos bem dados sabiaaa tãaaao bem!
E porque me tiras do sério.
E porque és assim.. qualquer coisa de... nem tenho palavras!
E porque ESPERO que OS uses todos, seguidos, com esta e aquela com a mesma, com diferentes, QUERO LÁ SABER.
E porque tomara que te cases com ela, a da camisa branca, a do sonho, a loira, a morena, a boazuda... Pppffff, NÃO me interessa quem!
E porque não são ciúmes! É simplesmente irritação!
E porque já te foste embora há uma hora, mas deixas-me de tal modo que, o que sentia na altura, continuo a sentir agora: ESTOU À BEIRA DE UMA ARRITMIA.
E porque CAGA lá para o trintão! Isso sim são ciúmes!
E porque és ciumento, oh jasus, tanto, tanto!
E porque nem tens razões para isso não é, quer-se dizer...
E porque se não partilhas, ÓPTIMO, pois
EU NÃO SOU RODÍZIO DE PIZZA. ¬¬
Estamos entendidos? Sim?? Fixe! Boa! Porreiro!
Agora vou ali até ao quintal apanhar ar e beber um chá de camomila!!
E rezar, rezar MUITO para que amanhã não me irrites, será muito pedir UM só dia de CALMA?
[E antes que venhas TU ou qualquer outro com termos médicos:
EU SEI que Taquicardia e Arritmia não são a mesma coisa!!!
São opostos até, CERTO?]
[E não preciso que ELE me faça massagens! Se quiser, sei fazê-las MUITO bem sozinha!]
= FUTURO =
Sem nunca o perceberes, esgravatas-me a alma como se fosses um animal enjaulado.
Sem nunca me importar deixo que o faças, intermitentemente, como se fossem estes rasgões a minha melhor forma de vida, a mais merecida, aos teus olhos.
Sem sequer ponderares, devoras-me a cada respirar expelido na inconsciência de uma vivência incompleta, quando não te apresentas, te escondes atrás de desculpas, apenas porque um dia não te fui.
Encontro-me neste corrume de novo. Não dividida, simplesmente estagnada. Tudo por mim passa, passam as origens, os meios e os termos. Nada fica, apenas eu permaneço num qualquer vértice entre o que desejo ser, o que sou e o que vês.
Expandes sobre mim a utópica essência dos sentidos. Sem falhas ou rugas, mostrando-me que ainda há poemas por escrever, sobre nós. Frases que ficarão para sempre por dizer, páginas em branco, livros que jamais serão desfolhados, ninguém sentirá o cheiro da tinta nas suas folhas recentemente impressas. Este cheiro tão nosso.
E na volta, voltas a sulcar-me a carne com as tuas unhas, a alma com as tuas acções. Volto a pedir permissão para respirar enquanto me apertas com força contra ti, contra o teu corpo celeste, pontilhado não com a luz emanada das estrelas sobre nós, mas sim com a intensidade com que me desejas, de uma forma tão doentia.
A clarividência que se abeira de mim, mortalmente consumidora de almas perdidas, entre os estados de inconsciência em que me encontro quando estás, leva-me a repudiar os momentos mais simples, por mim guardados.
Quando de manhã, ao acordar primeiro que eu, estás na cozinha a fazer o café, e o seu cheiro me desperta. Vou ter contigo, sem me aperceberes e, por trás abraço-te, colocando-me em bicos de pés para te poder beijar o pescoço. Gosto de te sentir arrepiado. Raras são as vezes em que não te surpreendo. Incrível como há surpresa entre dois corpos que, apesar de separados, são metade um do outro. És a minha melhor metade.
Agora que penso nisto, repudio aquele momento quando ontem, enquanto sentada à beira da cama me calçava para ir trabalhar, sentia os teus olhos recaídos em mim. Fingi não perceber e tu fizeste de conta que continuavas a dormir, fechaste os olhos quando me aproximei de ti e te beijei os lábios sussurrando-te ao ouvido "até logo, meu amor". Ou quando à noite, sentada no sofá lia um livro enquanto te esperava que chegasses do trabalho exausto, como sempre, e com vontade apenas de mim, de nós. Chegas silencioso, esse silêncio que tanto me incomodava de inicio, e com o qual já não vivo. Não é preciso cuspir meia dúzia de coisas sem nexo quando se tem o poder de falar com os olhos, com o corpo quando o encostas a mim, com as mãos e elas me tocam. Chegaste silencioso, sem uma única palavra nos lábios, fechaste-me o livro, sabendo que odeio não marcar a página, perco o fio à meada. Sentiste-me irritada e sorriste. A partir daí fizeste de mim o que a tua imaginação ditou.
Repudio estes momentos de felicidade para que os outros venham à tona. Os outros que me matam.
Sem nunca me importar deixo que o faças, intermitentemente, como se fossem estes rasgões a minha melhor forma de vida, a mais merecida, aos teus olhos.
Sem sequer ponderares, devoras-me a cada respirar expelido na inconsciência de uma vivência incompleta, quando não te apresentas, te escondes atrás de desculpas, apenas porque um dia não te fui.
Encontro-me neste corrume de novo. Não dividida, simplesmente estagnada. Tudo por mim passa, passam as origens, os meios e os termos. Nada fica, apenas eu permaneço num qualquer vértice entre o que desejo ser, o que sou e o que vês.
Expandes sobre mim a utópica essência dos sentidos. Sem falhas ou rugas, mostrando-me que ainda há poemas por escrever, sobre nós. Frases que ficarão para sempre por dizer, páginas em branco, livros que jamais serão desfolhados, ninguém sentirá o cheiro da tinta nas suas folhas recentemente impressas. Este cheiro tão nosso.
E na volta, voltas a sulcar-me a carne com as tuas unhas, a alma com as tuas acções. Volto a pedir permissão para respirar enquanto me apertas com força contra ti, contra o teu corpo celeste, pontilhado não com a luz emanada das estrelas sobre nós, mas sim com a intensidade com que me desejas, de uma forma tão doentia.
A clarividência que se abeira de mim, mortalmente consumidora de almas perdidas, entre os estados de inconsciência em que me encontro quando estás, leva-me a repudiar os momentos mais simples, por mim guardados.
Quando de manhã, ao acordar primeiro que eu, estás na cozinha a fazer o café, e o seu cheiro me desperta. Vou ter contigo, sem me aperceberes e, por trás abraço-te, colocando-me em bicos de pés para te poder beijar o pescoço. Gosto de te sentir arrepiado. Raras são as vezes em que não te surpreendo. Incrível como há surpresa entre dois corpos que, apesar de separados, são metade um do outro. És a minha melhor metade.
Agora que penso nisto, repudio aquele momento quando ontem, enquanto sentada à beira da cama me calçava para ir trabalhar, sentia os teus olhos recaídos em mim. Fingi não perceber e tu fizeste de conta que continuavas a dormir, fechaste os olhos quando me aproximei de ti e te beijei os lábios sussurrando-te ao ouvido "até logo, meu amor". Ou quando à noite, sentada no sofá lia um livro enquanto te esperava que chegasses do trabalho exausto, como sempre, e com vontade apenas de mim, de nós. Chegas silencioso, esse silêncio que tanto me incomodava de inicio, e com o qual já não vivo. Não é preciso cuspir meia dúzia de coisas sem nexo quando se tem o poder de falar com os olhos, com o corpo quando o encostas a mim, com as mãos e elas me tocam. Chegaste silencioso, sem uma única palavra nos lábios, fechaste-me o livro, sabendo que odeio não marcar a página, perco o fio à meada. Sentiste-me irritada e sorriste. A partir daí fizeste de mim o que a tua imaginação ditou.
Repudio estes momentos de felicidade para que os outros venham à tona. Os outros que me matam.
= PRESENTE =
Numa mórula sentida neste brinquedo, o berço de vida, nascente dos males, sinto entrar, o que não devia, por ti, por ser tão certo que se torna inoportunamente errado.
E então nesta doce e obscura morte, depositei a razão destes males num frasco e cobri-o de formol, olho-o sem ternura alguma, sem dúvidas e com um ar de certa comicidade. Tomara que nada o faça sair dali, de novo.
E então nesta doce e obscura morte, depositei a razão destes males num frasco e cobri-o de formol, olho-o sem ternura alguma, sem dúvidas e com um ar de certa comicidade. Tomara que nada o faça sair dali, de novo.
quinta-feira, junho 03, 2010
Acredito. do verbo acreditar.
Acredito que as relações se fazem de química e cumplicidade. simplesmente. acredito que o corpo tem linguagem própria. o olhar. o sorriso também. é isso que constrói uma relação. tudo o que está para além das palavras. tudo o que conseguimos ouvir no silêncio. acredito no conforto do silêncio. acredito que as relações se fazem de cumplicidades. segredos. lágrimas e gargalhadas. fantasias. guardar tudo o que se sabe. sem querer saber mais nada. passado. futuro. querer o todo. sem nunca conhecer tudo. viver. acredito em entidades isoladas. com um mundo próprio. acredito no fascínio pelo que nunca nos pertence. simplesmente. acredito em nós.
quarta-feira, junho 02, 2010
Fraqueza
Aviso sobre conteúdos.
Continuai apenas se tiverdes certeza que podeis
e possuíeis capacidade e maturidade para tal!
Duas da manhã.
A noite já estava perdida, de qualquer das formas. E de nada me valiam as voltas infinitas que aqueles lençóis já haviam sentido. Não valia a pena dar mais umas quantas.
Levantei-me e sem sequer acender a luz vesti qualquer coisa atirado, horas ou teriam sido dias (?) antes, para cima da cadeira aos pés da cama. Fui à casa de banho, na esperança de aliviar o calor que sentia e lavei a cara. Olhei-me ao espelho e vi quem não queria.
Peguei nas chaves e sai porta fora.
Não sei por quanto tempo andei às voltas por estas ruas e dentro de mim. Pensei em tudo sem nunca pensar em nada... Tinha um vazio na cabeça cheio de pensamentos que não queria.
Quando dou por mim estou a tocar à tua campainha. E já nem me importa voltar atrás ou pensar sequer como fui ali parar. Não estás em casa? Toco mais uma vez. A porta por fim abre-se e surges ensonado.
» Que fazes aqui? Sabes que horas são??
» Não. Posso entrar?
Com uma mão na porta e outra na ombreira, impedias a minha entrada mesmo que inconscientemente. Sempre foi assim, sempre fomos assim. Tentamos impedir a entrada um do outro, mas ambos sabemos o insucesso de tais acções...
» Que queres?Vai para casa, é tarde...
» Posso entrar?
Subo um degrau, tu não te mexes. E consigo agora sentir-te o cheiro, esse teu cheiro. Olho para lá de ti, tentando perceber, mas vejo apenas uma casa na penumbra.
» Estás acompanhado, é isso?
» Não.
» Deixa-me entrar.
Subo o outro degrau. Ficámos tão perto um do outro que sentimos os nossos calores. Cheiro-te o braço esticado à minha frente, cheiras a cama. Aquele cheiro à tua cama. Enquanto o faço, sei que aproximas a tua face do meu cabelo para o cheirar, embora voltes à tua posição de defesa assim que volto os olhos para te encarar.
Segundos depois deixas-me entrar.
Encosto-me à parede, no lado esquerdo do hall de entrada. Para ser sincera, estava com receio de entrar, ambos sabíamos como iria acabar.
Fechas a porta, e frente a mim, a pouco menos de dois metros de distância, encostas-te à parede do lado direito.
» Que fazes aqui?
Não te respondo. Os meus olhos percorrem o teu tronco nu, com a vontade crescente de o sentir. Cruzas os braços ao peito; sempre gostei da tua timidez. Poucos sabem que és.
Caminho até ti e paro a poucos centímetros dos teus braços. Estico a mão para te tocar, mas num movimento rápido lanças a tua ao meu pulso impedindo-me.
» Que vieste cá fazer?
O teu tom de voz mudou, sei que queres tanto como eu.
» E isso importa? Importa quando ambos sabemos?
» Eu quero saber. Quero que o digas. Porque da última vez disseste que seria a última... de vez.
Tento soltar o pulso que me apertas, isso faz com feches ainda mais a tua mão sobre ele.
» Larga-me.
» Não largo, enquanto não o disseres.
» Não sei porque vim cá ter. Apenas saí de casa e vim parar aqui.
» Não me chega.
Puxas-me o braço contra o teu peito e com a outra mão prendes-me o outro pulso atrás das minhas costas. E mesmo sem o querer, solto um pequeno gemido ao sentir o calor do teu corpo através da minha roupa.
» Diz!
Tento soltar-me de novo o que faz com que me apertes ainda mais contra ti. Aproximas a tua boca da minha sem nunca me beijar. Sinto-te a respiração na minha face. Fecho os olhos e descaio a cabeça para trás, oferecendo-te o pescoço, que aceitas de bom grado.
Sinto-te a ficar excitado através dos boxers, esses que um dia foram causa de uma risada majestosa no restaurante, quando, depois de te confidenciar baixinho, entre garfadas, que nada tinha vestido por debaixo da saia, me segredaste "Dói-me. Dói-me a tesão que se mantém presa nos meus boxers..."
Recordar-te-ias desse episódio?
Tiraste-me a camisola, num ápice, mostrando que eu não precisava de responder.
Viraste-me de costas para ti e entre dentadas no ombro insistias em querer ouvir da minha boca como iríamos acabar.
» Precisavas ser assim tão teimosa?
» Se não o fosse não te dava essa tesão que tens...
Com a mão procuro-te o sexo endurecido. Gemes no meu ouvido quando sentes os meus dedos entre o tecido e a fecharem-se sobre o teu membro desejoso do meu calor.
Viras-me para ti, olhas-me nos olhos e encostas-me à parede.
Cruzas-me os pulsos acima da cabeça, e sem grande dificuldade uma única das tuas mãos grandes prende-me, enquanto a outra desce até às calças.
Deverias ter ido para mágico, em segundos desconcertantes, talvez impelido pelo desejo ou pelo saber, desapertas os botões, tiras as calças e por fim as cuecas, deixando-me como me querias, exactamente como me querias.
Acomodas-te a mim.
E quando assim estamos, encaixados, parecemos obra divina. A peça que faltava ao outro.
Entrelaço uma perna no teu quadril, para melhor te sentir. E como te sinto...
As minhas costas roçam nas imperfeições da parede.
E saber que não tenho saída, entre o teu corpo escaldante e a parede fria que me arranha, abro a boca para dizer o que querias.....
continua....
[ou não]
segunda-feira, maio 31, 2010
Quando tudo está além das palavras.
Sinto permanentemente essa necessidade. Mas talvez seja impossível encontrar outras formas de o fazer. Queria escrever. Queria deixar escorrer pelos dedos palavras que traduzissem este muito, este tanto. Depois apercebebo-me qua as palavras são pouco perante o que me trepa no peito e se aloja algures entre o coração e a alma. Essas palavras não são nada. Estão gastas, amarelecidas pelo tanto que as repito. As palavras são as mesmas. E eu nasço outra sempre que o que sinto me sufoca os sentidos. Nasço em mim como cada onda que se insurge do âmago do oceano.
domingo, maio 30, 2010
Território
Vou pedir-te o que nunca pedi.
Vou dizer-te o que nunca disse.
Vou fazer-te o que nunca fiz.
Vou querer-te como nunca quis.
Vou ter-te como nunca tive.
Vou...
passear os meus dedos entre os teus cabelos.
dedilhar-te os lábios uma e outra vez, até não poderes mais, até desejares mais...
dar-me, dando-me, doendo-me, querendo(-te).
Vais...
fazer-te rei de terras incultas, desprovidas de ser, mas com sabor.
aqui, aqui ter-me, fazer-me, amar-me.
apertar, apertar-me entre os teus braços déspotas, esse desejo imperioso de me ter, querer-me, possuir-me.
Terei...
de gritar, pedir-te mais, que pares, que recomeces, agora, agora...!
de perguntar à realidade se é uma dobra no presente ou uma visão do futuro, de um futuro, teu.
de ser tudo, para ti, por ti, fazendo-te senhor, dono.
Quero...
agora, a ti, aqui, vem, cobre-me os olhos de sorrisos desejados.
beijos desprovidos de consciência, permanência sofredora em minha pele quente, quente.
sentir-te sobre mim, em mim, à minha volta, dentro de mim, sempre, sempre...
Vem...
não demores, não esperes, não penses.
escolher, escolher-me para (te) ser.
Espero(-te).
sábado, maio 29, 2010
Loucura não é
Desenho,
Em dobras da minha mente, um voltar do passado em alguém do presente.
Canto,
Em surdina silenciosa, o calor do respirar do teu peito encostado a mim,
como amantes incautos escondidos, apartados de uma realidade que se
lhes mostra mais devoradora que a fome eterna, que trago em mim, de ti.
Imagino,
Um sol que teima em alvitrar-me todos os dias, mais um, que comigo não
estás nem queres ser, como se fossemos unos, indivisos.
Desejo,
Como um sistema redutor, redentor, de lágrimas salgadas perdidas entre
as frestas de um amor de outrora sentido como salvação de almas ignóbeis
agora de luto, uma luta contra o esquecimento.
Possuo,
Em mim, mais poder que força.
Força caracteriza o fraco, poder caracteriza o espírito.
Procuro,
Viveza, em sorrisos descobertos pela primeira vez, como se familiares fossem,
sugerindo partilha de algo mais que meio olhar deitado pelo canto, soçobrado
na linha de um lábio, na curva de um quadril.
Deito,
Em sedas quentes, ansiosas pelo meu sossego das horas perdidas, encontradas
nos teus braços, aquecidas pelos teus lábios, embriagadas pelo teu cheiro.
Tenho,
Em mim, mais do que quero, uma e outra e outra, e todas anseiam por ti.
Talvez seja demência, mas loucura não é.
Prazer oco
Deitada na cama olho para o armário com uma porta mal
fechada. Lá dentro, pendurado, um cabide vazio.
E penso o quanto eu sou aquele cabide.
Vazia, à espera que me envolvam. Não com roupa.
A envolvência que me faz falta, e pela qual me mantenho
aqui deitada, é a tua.
Lanço um último olhar ao armário e fecho os olhos.
Pouco depois sinto o teu corpo quedar-se a meu lado, sem
peso, áureo.
Temo abrir os olhos, então não o faço.
Encosto-me a ti e o choque percorre o meu corpo.
Electrizante.
Electrizas-me.
Entrelaço a minha perna na tua, desnudas.
A minha mão (per)corre-te o peito, despidos.
Encosto a minha face à linha do teu queixo, numa ânsia
animal de te retirar todo e qualquer cheiro, guardá-lo
para mim, só para mim.
Esse cheiro que não consigo decifrar.
Às vezes forte, sinto-te o odor a carvalhos, ciprestes e
salgueiros, quando te tornas imponente e me tomas nos
teus braços, com uma força desmedida, como eu quero,
sem pedires perdão.
Outras tantas trazes contigo o perfume das flores das
amendoeiras, doces, níveas, quando me segredas ao
ouvido como te curo dos demónios que te atormentam.
Mas hoje trazes o cheiro das laranjeiras floridas. Sabes
como gosto, e ao passares por elas quando entraste pelo
portão do quintal, não resististe a tocar-lhes e trazê-las
até aos meus sentidos.
Cheiro-te, inspiro profundamente.
Carregas em ti o cheiro da rua, o cheiro que o vento te
deposita e te marca ao beijar-te a pele, a tua pele,
que é tão minha.
Cheiro-te e tento guardá-lo para memória futura, para
quando tiveres partido novamente.
Beijo-te o queixo e desço até ao pescoço.
Sinto-te a pele do peito eriçada, um arrepio, e um suspirar
mal contido. Expeles o ar com ganas de quem não o precisa,
fazes pouco dele, tens-me a mim, respiras através de mim.
Beijo-te a pele queimada pelo sol, vivida de dores, perdida
de amores.
Brinco com uma mexa do teu cabelo, rodopio-o entre os
meus dedos e sem nunca abrir os olhos sinto a te(n)são que
te percorre cada recanto do teu ser, mais que físico.
A mão, outrora no teu desejoso peito, desceu, desceu...
Desceu perigosamente.
A perna continua entrelaçada na tua, apertada com força,
num apetite recaído acima das minhas coxas,
pouco acima das minhas coxas...
Então o teu cheiro muda, assim que, na eminência de um
pico de êxtase mortal, giras o teu corpo sobre si mesmo e
me apertas com a tal força mal calculada.
"Descontrola-te", peço-te baixinho, quase num sussurro,
"Descontrola-te, descontrola-me, anda!"
Sem pedir licença nem esperar nova ordem, afastas-me as
pernas com o joelho.
Cobres-me com o teu corpo, a tua pele torna-se extensão
da minha, enquanto te fazes convidado do meu corpo.
Violentamente adocicado, és.
Irremediavelmente perdida por ti, sou.
Peço-te que o digas, "Quero que o digas, diz!"
Entre um balanço e outro a tua boca abre-se para meia dúzia
de palavras apenas "Dás-me uma tesão louca, minha doida..."
Na loucura de assistir ao prazer passar-te pelo rosto,
abro os olhos.
Em vez da tua face o que encontro é a porta do armário
entreaberta e o cabide ainda vazio.
Dou-me conta da minha pesada respiração e acordo do
pensamento inconsciente em que havia mergulhado.
As minhas mãos... uma aperta, de forma dolorosa, várias
madeixas dos meus rebeldes e fartos caracóis.
A outra perdeu-se, entre calores e humidade, acima das coxas...
muito pouco acima da linha das coxas...
Na ponta dos d.e.d.o.s
Porque, de cada vez que contigo quero estar,
os meus pensamentos galgam os limites da imaginação.
Sinto, em comprimento deitada,
a tua língua apoderar-se da minha pele.
Depositas nela sal de suor, doce de tesão.
Lambes nela a tabuada dos 9, sem pressa,
como quem a aprende pela primeira vez,
contas pelos dedos cada arrepio da minha alma.
Declamas-lhe odes,
como quem se vai descobrindo num livro sagrado,
enquanto me desfolhas.
Vem, dá-me com a alma, pois o teu corpo,
há muito me pertence.
Anda, alimenta-te de mim, mato-te essa fome,
inevitavelmente, insaciável.
Em ângulos perigosamente excitantes,
limas-me arestas, descobres (en)cantos,
cobres-me com suaves mantos.
Escurecemos em danças puras, por fim,
num acto que nada mais é que a continuidade
de algo que sempre existirá.
Aqui.
Me tens.
sexta-feira, maio 28, 2010
Da saudade e outros demónios.
saudade s.f. melancolia causada pela lembrança de um bem de que se está privado; mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou acções; pesar; nostalgia (...) ( Do lat. solitate, «solidão»).
A saudade é bem mais complexa do que aquilo que pode ler-se no dicionário. A saudade não é necessariamente ausência. Porque, não raras vezes, chega ainda antes da despedida. Porque se pode ter saudade daquilo que nunca se teve. Porque a saudade aparece quando ansiamos por aquilo que está por vir. Porque a saudade é um estado. Chega quando quer. Enlaça o coração num abraço que se vai apertando cada vez mais e deixa como resquício um batimento pausado e quase inaudível. Nada diz. Vai ficando.
Às vezes, até quase se esquece que ela está ali...
quando a única coisa que vem quebrar a quietude deste silêncio quente e confortável é o chilreado agonizante, lá longe, de um pássaro a quem partiram as asas.
domingo, maio 23, 2010
Só... por esta noite.
Só por esta noite...
Adormeço-me nos teus olhos.
Deixo que me embales os medos e me rasgues as fragilidades.
Só por esta noite...
Permitirei que me digas que me queres sempre e eternamente
Mesmo que eu conheça a dor de saber que tudo é finito
Só por esta noite...
Não penso em nada.
Não me despeço enquanto dormes nos lençóis de um quarto que nem reconheço.
Só por esta noite...
Não te dou um último beijo.
Saio em bicos de pés.
Fecho a porta de mansinho
Com medo que o bater da mesma ecoe na minha alma.
Só por esta noite.
Não olho para trás.
Haverão outras noites.
Haverão outros lábios.
Haverá outro corpo suado em meu corpo.
Haverá.
Haverão.
Outra noite.
Outras memórias.
Só por esta noite...
Adormeço-me nos teus olhos.
Deixo que me embales os medos e me rasgues as fragilidades.
Só por esta noite...
Permitirei que me digas que me queres sempre e eternamente
Mesmo que eu conheça a dor de saber que tudo é finito
Só por esta noite...
Não penso em nada.
Não me despeço enquanto dormes nos lençóis de um quarto que nem reconheço.
Só por esta noite...
Não te dou um último beijo.
Saio em bicos de pés.
Fecho a porta de mansinho
Com medo que o bater da mesma ecoe na minha alma.
Só por esta noite.
Não olho para trás.
Haverão outras noites.
Haverão outros lábios.
Haverá outro corpo suado em meu corpo.
Haverá.
Haverão.
Outra noite.
Outras memórias.
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