em que a noite romperá o céu com rasgos de luz,
anunciando o fim inevitável de todas as coisas.Há-de chegar um dia...
em que o vento se arrastará indiferente ao que fica para trás
e a luz, trémula, encolhida perante o seu bafejar,
se apagará.
Há-de chegar um dia...
em que a imagem que vê no espelho se curvou aos anos
e já não se reconhece naquilo que foi noutros dias.
Há-de chegar um dia...
em que a velhice se cola na carne, entranha nos ossos e rói a alma,
deixando em seu lugar pequenas memórias desordenadas
daquilo que já não é.
Há-de chegar esse dia.
Quando não houver mais em que acreditar.
