Inebriadas de amor e confusão.
Confusão própria de quem não sabe o que é
ser dois e ser um. Confusão de amar.
São palavras os afagos com que te embalo
as noites mal dormidas.
Os sonhos apagados.
Os olhos fechados a tremerem.
São palavras que semeio entre nós
quando me entrego totalmentee esquecemos o mundo lá fora.
São palavras que deixo a teus pés
quando me afasto e percorro os meus próprios
caminhos.São palavras que uso para aceder
à tua mente, ao teu mundo, ao teu espaço.
De noite, entrego-me por completo. Dispo-me de preconceitos e inseguranças e sou tua. Nessas noites, não existem palavras. Simplesmente, não existe nada para além do teu sorriso, para além dos teus sons, do teu perfume, da tua existência que me enlouquece.
De noite, não existem palavras.
Não existe mais ninguém para além de nós dois, dos nossos lençóis, a nossa cama, o nosso espaço.
De noite, sinto-te vaguear pelo quarto.
Ouço os teus passos inquietos e sei, eu sei, que na tua alma se revolve uma bola imensa, um vazio, um negrume que afastaste por mim. E que eu engoli para ti.
A lua já vai alta e o teu sono não vem.
Amanhã falaremos palavras sem sentido que não poderão dar cor às nossas noites.
Porque o amor, querido, não se canta.





