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-Bernardo, falei hoje com a Inês e ela pediu que lhe dispensasse a casa do Algarve para poder passar uns dias com o João. Disse Helena enquanto jantavam
-Achas mesmo que aquele casal tem solução? Brincou Bernardo
-Sabes que o trabalho ocupa muito a vida do João e é normal que a Inês sinta falta dele e de estar com ele.
Bernardo sorriu
-Por mim tudo bem, sabes que não tenho grande simpatia pela Inês, mas acho que esse sentimento é mutuo no entanto a casa é tua.
-A casa é minha é certo mas prefiro que saibas que ela me fez esse pedido e que eu ainda não lhe disse sim, gostaria de te consultar primeiro. Insistiu...
-Então estou consultado Querida, por mim ela pode ir o tempo que quiser...Disse
Helena olhou para Bernardo enquanto comia e não se imaginava já viver sem ele a seu lado.
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No dia seguinte Helena fez questão de ser ela desta vez a ligar a Inês dizendo que sim:
-Podes ir passar os dias que quiseres na casa com o João!
Normalmente era sempre Inês quem ligava, Helena achou que todos estes anos de amizade que mantinha com Inês ela tinha sido sempre tão leal e tão presente nos momentos mais tristes da sua vida que merecia ter realmente um miminho destes.
-Deixas só que ligue á D. Maria para ela pôr lá tudo em ordem antes de ires...continuava Helena a dar a boa noticia...estás aí? Perguntou por não ouvir o tal grito de alegria no outro lado
-Sim, sim, desculpa...disse com voz trémula
-Então, que se passa? Perguntou Helena preocupada – Pensei que irias ficar feliz com esta notícia.
-E fico muito feliz, no entanto não noto no João a mesma vontade em ir.
-Já sei, hoje vamos almoçar juntas, podes ir. Perguntou Helena
-Poder, posso, sabes que o dinheiro nesta casa não abunda...
-Sim eu sei...não te preocupes com isso, eu passo na tua loja por volta das 13.30 para irmos almoçar.
-Ok combinado!
-Então vá, anima-te e ate já. Disse Helena terminando a chamada
Olhou para o telefone franziu a testa, encolheu os ombros e suspirou.
Pensou como a vida da amiga se tornou tão diferente da dela, como tinha tido sorte em encontrar o Bernardo, um homem que mesmo sabendo que tinha o seu péssimo feitio a amava e a tratava bem.
Informou a Secretária que iria sair e que qualquer assunto estaria com o telemóvel ligado. Acenou e fechou a porta.
-O Bernardo que me ligue se voltar entretanto. Ainda disse voltando atrás.
Seguiu em direcção da loja da amiga que já a esperava na Porta e acenava ao longe para que Helena a visse.
-Já te vi mulher! Disse Helena abrindo a porta por dentro. Anda lá entra!
-Estás gira! Exclamou Inês – O facto de decidires viver com o Bernardo fez-te bem... em parte!
-Deixa lá de te preocupar agora com o Bernardo que afinal viemos para almoçar as duas e falarmos sobre ti. Disse Helena enquanto punha novamente o cinto de segurança.
-Estou cansada de viver a vida que o João me dá, por vezes parecemos dois estranhos, começou Inês por dizer – Ele é atencioso e não me trata mal, mas vivemos os dois como se fossemos um casal de irmãos
-Irmãos! Exclamou Helena
-Sim irmãos, não vivemos uma vida normal de casal, não existe sexo, não há qualquer carinho...Disse enquanto duas lágrimas caíram pelo seu rosto.
Helena olhava para amiga sem conseguir sequer lhe dizer uma palavra a única que saiu foi:
-Não imaginava que estavas a viver dessa forma a tua relação Inês!
-O problema é que eu amo-o demasiado para o deixar, não consigo imaginar a minha vida sem ele. Continuava
-Não foi nada boa ideia esta coisa de irmos almoçar fora, não estás em condições de entrar num restaurante.
Helena parou o carro, olhou para Inês
-Espera, volto já...e saiu do carro
Enquanto Helena se ausentou o telefone tocou e Inês viu que era Bernardo que ligava, ficou na duvida se atenderia ou não...Limpou as lágrimas e pegou no telemóvel
-Sim Bernardo, é a Inês, desculpa atender o telemóvel da Helena mas ela saiu, foi ao Restaurante comprar qualquer coisa para almoçarmos...Disse ainda fungando
-Há! Ok ...Tudo bem Inês...Disse Bernardo surpreendido.
-Tudo bem? Continuou ele
-Tudo mais ou menos...já se passaram alguns anos desde da última vez que me perguntaste se estava tudo bem comigo. Disse Inês tentando disfarçar a sua voz trémula
-É verdade, a nossa vida seguiu caminhos diferentes no temos Helena em comum!
-Sim, temos a Helena, e espero que ela continue sem saber o nosso passado. Pediu Inês
-Continuará, afinal foi á tanto tempo...Disse Bernardo
-Então eu digo-lhe que ligaste Bernardo, queres que ela te ligue de volta?
-Não diz-lhe apenas que não vou jantar em casa se não te importares. Espero que fiques bem Inês. E desligou em seguida
Inês nem teve tempo de dizer mais nada, Bernardo desligou-lhe o telefone sem lhe dar tempo de se despedir.
Inês tinha sido o grande amor de Bernardo na adolescência, Helena desconhecia essa ligação de Bernardo a Inês, até porque só conheceu Bernardo quando entrou na Faculdade e porque o amor que Bernardo sentiu por Inês nunca foi correspondido, já nessa altura Inês optava por namorar os amigos de Bernardo e nunca lhe dar hipótese ao amor que ele tinha por ela.
Por sua vez Helena viveu uma adolescência mais controlada pelo pai, que nunca permitiu que a filha saísse á noite e só mesmo quando faziam férias de Verão é que ela sempre que podia levava a Inês e com a cumplicidade da mãe saia para dançar até de madrugada.
-Desculpa a demora. Disse Helena entrando no carro apressada
Inês deu um salto do banco
-Assustaste-me! Disse pálida
Nota:Este texto não está revisto ortográficamente nem está de acordo com o novo acordo ortográfico.
