Desenho,
Em dobras da minha mente, um voltar do passado em alguém do presente.
Canto,
Em surdina silenciosa, o calor do respirar do teu peito encostado a mim,
como amantes incautos escondidos, apartados de uma realidade que se
lhes mostra mais devoradora que a fome eterna, que trago em mim, de ti.
Imagino,
Um sol que teima em alvitrar-me todos os dias, mais um, que comigo não
estás nem queres ser, como se fossemos unos, indivisos.
Desejo,
Como um sistema redutor, redentor, de lágrimas salgadas perdidas entre
as frestas de um amor de outrora sentido como salvação de almas ignóbeis
agora de luto, uma luta contra o esquecimento.
Possuo,
Em mim, mais poder que força.
Força caracteriza o fraco, poder caracteriza o espírito.
Procuro,
Viveza, em sorrisos descobertos pela primeira vez, como se familiares fossem,
sugerindo partilha de algo mais que meio olhar deitado pelo canto, soçobrado
na linha de um lábio, na curva de um quadril.
Deito,
Em sedas quentes, ansiosas pelo meu sossego das horas perdidas, encontradas
nos teus braços, aquecidas pelos teus lábios, embriagadas pelo teu cheiro.
Tenho,
Em mim, mais do que quero, uma e outra e outra, e todas anseiam por ti.
Talvez seja demência, mas loucura não é.
