Enrola-os em ondas perpétuas,
lodo de um passado eminentemente presente.
A luz fere-me os olhos e as mãos,
a ferida que abre e respira e é real
e é fétida. Encolho o corpo e a mente,
encolho-me no abismo da noite profunda,
escondo-me, escondo-me, engulo lágrimas
e palavras, silêncios assassinos que guardo
junto ao seio. Quebro o espelho. Quebro
a brancura da pele e do tempo sereno,
quebro-me, quebro-me, quebro-me
num incessante atropelar de eventos e erros.
Deito-me no chão e respiro o ar rarefeito
do meu quarto, respiro e arranco os olhos
grandes, os olhos que viram e guardaram
toda a merda que comi, todas as mentiras,
pontos de interrogação, reticências,
linhas mal paridas
com que escrevi a minha história.
"Era uma vez..."
uma criança nauseada num barco em que vê
o seu futuro e as suas crises e as suas falhas,
uma criança um beco um recomeço,
zero zero zero zero zero.
pum,
zero zero zero zero zero.
recomeço.
pim
zero zero zero zero zero
a loucura, a puta da loucura e
a mancha a mancha dos meus olhos nítidos
a mancha dos meus olhos curvos
a mancha de esperma nos lençóis
e o sangue o sangue negro que me escorre
da alma da doença do ventre
do amargo dos dias a puta da
l o u c u r a
ah e os dias eram mais claros
e dias houve que o sol nasceu mais cedo
e a criança nauseada sorriu
e sorriu muito e era feliz e era muda
e era um rol de palavras
e
e
e
e
e
e
zero.
fim.
recomeço.
pim.
quem és tu?
quem és tu?
que me olhas?
quem
és
tu
foda-se?
eu. sou. a. menina. quebrada.
[abraço-te]
pensasses no sol e nas cores
quando vendeste a alma
ao diabo.
""Isto é apenas um Texto,não se baseia em factos reais e pessoais""

