segunda-feira, maio 17, 2010
A Esperança do coração
E o mundo revolta-se numa insinuação de pertença e de horror.
Caminhas os caminhos que conheço e sei, atravessas vales negros de bruma onde esqueces o teu nome.
Reaprendes a ser outro, deixas de ser tu. Ofereces o coração e a vida. E ela nega-te.
O mundo urra, o vento perfuma o inevitável, e eu escrevo-te. Escrevo-te sozinho, quiçá com uma pequena esperança a iluminar o vazio, quiçá com as mãos estendidas num gesto de súplica: "preenche-me".
Da súplica crio uma ponte, da ponte nasce uma ressonância, da ressonância sinto-te o pulsar quente das veias. És ainda dela. Quiçá um pouco meu.
O mundo cria impossibilidades, escolhas, oportunidades e encruzilhadas.
O mundo cria-nos e recria-nos.
E eu escrevo-te. Esperando, nesse acto, que a esperança do meu coração ecoe no teu.
Esperando que das minhas palavras luza uma estrela para onde possas escoar o teu vazio.
O amor violou-nos os sentidos. Até quando não sei. Dá-me a mão. Respira pelos meus lábios. Deixa que a sombra dos meus passos desenhe os teus.
Escreve-me. Solta as palavras. Renasce. Sonha. Tem esperança.
Escrevo para ti.
Preencho-te.
Sorri (me).

