sábado, maio 29, 2010
Na ponta dos d.e.d.o.s
Porque, de cada vez que contigo quero estar,
os meus pensamentos galgam os limites da imaginação.
Sinto, em comprimento deitada,
a tua língua apoderar-se da minha pele.
Depositas nela sal de suor, doce de tesão.
Lambes nela a tabuada dos 9, sem pressa,
como quem a aprende pela primeira vez,
contas pelos dedos cada arrepio da minha alma.
Declamas-lhe odes,
como quem se vai descobrindo num livro sagrado,
enquanto me desfolhas.
Vem, dá-me com a alma, pois o teu corpo,
há muito me pertence.
Anda, alimenta-te de mim, mato-te essa fome,
inevitavelmente, insaciável.
Em ângulos perigosamente excitantes,
limas-me arestas, descobres (en)cantos,
cobres-me com suaves mantos.
Escurecemos em danças puras, por fim,
num acto que nada mais é que a continuidade
de algo que sempre existirá.
Aqui.
Me tens.
