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domingo, junho 20, 2010

Metamorfose

"Se pudesse abrir os teus espaços, decifrar-te a imensidão dos segredos, a nulidade da perspectiva... Se pudesse tão só descobrir o momento que transformou a regularidade dos meus olhos na matéria fragmentada dos teus espelhos...
Existem desejos pequenos e imutáveis que se transformam nas linhas que definem o indefinível.
Tu existes no desejo de saber a natureza do espelho que sou eu.
O reflexo que te tornaste tu. Tu... que tentas compreender a forma como o reflexo que viste em mim se tornou parte de ti.
Adaptaste as palavras e os meios-sorrisos ao homem que foste nele, tornaste-te a promessa cumprida das mãos que nunca se fecham, que ficam, que permanecem profanadas de pássaros lânguidos.
Tu foste mais, foste menos que Tu em mim.
Tu cresceste dentro e para dentro do Espelho.
Criaste fios, cordões umbilicais, intermináveis espasmos de luz. Tornaste-te o Reflexo. Deixaste de ser Tu. Metamorfoseaste-te nas Leis com que criei o teu corpo, os teus olhos e os teus silêncios.
Renasceste. No Reflexo que criámos no Espelho que há em mim."