Na imensidão da noite.
Sei-te disperso em almas e corpos
que não os meus.Sei-te nas linhas de outros nomes,
outros rostos, outras cadências.
Não estás aqui.
Definitivamente.
O coração que batia em uníssono
com o meu é agora um balão oco
no espaço vazio que reservei para ti.
Bebo cálices com a Lua
enquanto aguardo que regresses.
Hoje estás demorado.
Quedas-te certamente em lábios,
braços, dedos. És dela como nunca
foste meu. O cordão umbilical que nos une
apodrece a cada dia.
Profecia, ameaça cósmica,
sereno cair do pano.
Diz-me apenas num sussurro:
"onde me morres no passar da noite?"
