Desconheço a caneta, o destino
e as palavras com que selas
a incapacidade de sentir.
Conheço-te os símbolos, os esgares
E os queixumes. Conheço-te.
Fechas atrás de ti todas as portas,
todas as ausências, apagas
o nome de todas as mulheres
e meninas que abraçaste
Pregas o amor nas esquinas
do teu corpo, pregas os teus passos
na curva do teu sorriso.
Desconheço os teus pés, os rumos
com que enfeitas a tua cama.
Guardo o teu cheiro e o
teu sabor na agressividade
Do retorno. (Res)guardo-te.
Arqueio o corpo na ânsia do afago
que não perdura, no sopro desalentado
da memória, no vasto tropor do meu
coração.
Sinto-te.
Tic Taque.
Tic.
Taque.
Finda mais uma noite em
que a tua voz
não acaricia os meus cabelos.
Carla Vidal®

