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quinta-feira, junho 10, 2010

Desconheço-te

Desconheço a caneta, o destino

e as palavras com que selas

a incapacidade de sentir.

Conheço-te os símbolos, os esgares

E os queixumes. Conheço-te.

Fechas atrás de ti todas as portas,

todas as ausências, apagas

o nome de todas as mulheres

e meninas que abraçaste

Pregas o amor nas esquinas

do teu corpo, pregas os teus passos

na curva do teu sorriso.

Desconheço os teus pés, os rumos

com que enfeitas a tua cama.

Guardo o teu cheiro e o

teu sabor na agressividade

Do retorno. (Res)guardo-te.



Arqueio o corpo na ânsia do afago

que não perdura, no sopro desalentado

da memória, no vasto tropor do meu

coração.

Sinto-te.

Tic Taque.

Tic.

Taque.

Finda mais uma noite em

que a tua voz

não acaricia os meus cabelos.

Carla Vidal®