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Continuai apenas se tiverdes certeza que podeis
e possuíeis capacidade e maturidade para tal!
Duas da manhã.
A noite já estava perdida, de qualquer das formas. E de nada me valiam as voltas infinitas que aqueles lençóis já haviam sentido. Não valia a pena dar mais umas quantas.
Levantei-me e sem sequer acender a luz vesti qualquer coisa atirado, horas ou teriam sido dias (?) antes, para cima da cadeira aos pés da cama. Fui à casa de banho, na esperança de aliviar o calor que sentia e lavei a cara. Olhei-me ao espelho e vi quem não queria.
Peguei nas chaves e sai porta fora.
Não sei por quanto tempo andei às voltas por estas ruas e dentro de mim. Pensei em tudo sem nunca pensar em nada... Tinha um vazio na cabeça cheio de pensamentos que não queria.
Quando dou por mim estou a tocar à tua campainha. E já nem me importa voltar atrás ou pensar sequer como fui ali parar. Não estás em casa? Toco mais uma vez. A porta por fim abre-se e surges ensonado.
» Que fazes aqui? Sabes que horas são??
» Não. Posso entrar?
Com uma mão na porta e outra na ombreira, impedias a minha entrada mesmo que inconscientemente. Sempre foi assim, sempre fomos assim. Tentamos impedir a entrada um do outro, mas ambos sabemos o insucesso de tais acções...
» Que queres?Vai para casa, é tarde...
» Posso entrar?
Subo um degrau, tu não te mexes. E consigo agora sentir-te o cheiro, esse teu cheiro. Olho para lá de ti, tentando perceber, mas vejo apenas uma casa na penumbra.
» Estás acompanhado, é isso?
» Não.
» Deixa-me entrar.
Subo o outro degrau. Ficámos tão perto um do outro que sentimos os nossos calores. Cheiro-te o braço esticado à minha frente, cheiras a cama. Aquele cheiro à tua cama. Enquanto o faço, sei que aproximas a tua face do meu cabelo para o cheirar, embora voltes à tua posição de defesa assim que volto os olhos para te encarar.
Segundos depois deixas-me entrar.
Encosto-me à parede, no lado esquerdo do hall de entrada. Para ser sincera, estava com receio de entrar, ambos sabíamos como iria acabar.
Fechas a porta, e frente a mim, a pouco menos de dois metros de distância, encostas-te à parede do lado direito.
» Que fazes aqui?
Não te respondo. Os meus olhos percorrem o teu tronco nu, com a vontade crescente de o sentir. Cruzas os braços ao peito; sempre gostei da tua timidez. Poucos sabem que és.
Caminho até ti e paro a poucos centímetros dos teus braços. Estico a mão para te tocar, mas num movimento rápido lanças a tua ao meu pulso impedindo-me.
» Que vieste cá fazer?
O teu tom de voz mudou, sei que queres tanto como eu.
» E isso importa? Importa quando ambos sabemos?
» Eu quero saber. Quero que o digas. Porque da última vez disseste que seria a última... de vez.
Tento soltar o pulso que me apertas, isso faz com feches ainda mais a tua mão sobre ele.
» Larga-me.
» Não largo, enquanto não o disseres.
» Não sei porque vim cá ter. Apenas saí de casa e vim parar aqui.
» Não me chega.
Puxas-me o braço contra o teu peito e com a outra mão prendes-me o outro pulso atrás das minhas costas. E mesmo sem o querer, solto um pequeno gemido ao sentir o calor do teu corpo através da minha roupa.
» Diz!
Tento soltar-me de novo o que faz com que me apertes ainda mais contra ti. Aproximas a tua boca da minha sem nunca me beijar. Sinto-te a respiração na minha face. Fecho os olhos e descaio a cabeça para trás, oferecendo-te o pescoço, que aceitas de bom grado.
Sinto-te a ficar excitado através dos boxers, esses que um dia foram causa de uma risada majestosa no restaurante, quando, depois de te confidenciar baixinho, entre garfadas, que nada tinha vestido por debaixo da saia, me segredaste "Dói-me. Dói-me a tesão que se mantém presa nos meus boxers..."
Recordar-te-ias desse episódio?
Tiraste-me a camisola, num ápice, mostrando que eu não precisava de responder.
Viraste-me de costas para ti e entre dentadas no ombro insistias em querer ouvir da minha boca como iríamos acabar.
» Precisavas ser assim tão teimosa?
» Se não o fosse não te dava essa tesão que tens...
Com a mão procuro-te o sexo endurecido. Gemes no meu ouvido quando sentes os meus dedos entre o tecido e a fecharem-se sobre o teu membro desejoso do meu calor.
Viras-me para ti, olhas-me nos olhos e encostas-me à parede.
Cruzas-me os pulsos acima da cabeça, e sem grande dificuldade uma única das tuas mãos grandes prende-me, enquanto a outra desce até às calças.
Deverias ter ido para mágico, em segundos desconcertantes, talvez impelido pelo desejo ou pelo saber, desapertas os botões, tiras as calças e por fim as cuecas, deixando-me como me querias, exactamente como me querias.
Acomodas-te a mim.
E quando assim estamos, encaixados, parecemos obra divina. A peça que faltava ao outro.
Entrelaço uma perna no teu quadril, para melhor te sentir. E como te sinto...
As minhas costas roçam nas imperfeições da parede.
E saber que não tenho saída, entre o teu corpo escaldante e a parede fria que me arranha, abro a boca para dizer o que querias.....
continua....
[ou não]
