quarta-feira, janeiro 15, 2014
Não, não é racismo!
Hoje, está na moda dizer que o capital não tem pátria, nem cor, raça ou credo, porque aquilo que move qualquer empresário ou gestor é sempre a maximização do lucro. Por isso, dizem os modernos, tanto faz ser chinês, francês, norte-americano, angolano, espanhol, ou português, querem todos o mesmo: investir dinheiro para conseguir mais dinheiro. E nesta espécie de ciclo virtuoso ganhamos todos.
Ora eu, antiquada me confesso. Fico triste com o facto de o cinema Londres deixar de existir para ser transformado numa loja de chineses, motivo de levantamento nacional no Facebook, mas fico muito mais preocupada com a venda de um terço do mercado segurador português a um grupo chinês.
Podem recuar já os que desatam a chamar racistas aos outros, que discordam desta lógica liberal, que nunca nenhum governo encarnou tão bem em Portugal. Não se trata de nada tão simples, deem-me o benefício da dúvida e não me julguem tão básica.
É que, para mim, a venda de uma empresa a outra não é a mera troca de capital corpóreo por capital incorpóreo. A convicção de que a nacionalidade do capital não interessa é ignorar a importância do poder e de outros fatores que influenciam os negócios, como questões culturais e geo-políticas.
Os negócios não são feitos apenas de decisões económico-financeiras, os gestores não são máquinas, independentes do mundo que os rodeia, programados apenas para lucrar. Aliás, a própria lógica do lucro é redutora, é curta, é de curto prazo.
Se na Suécia ninguém teme, para já, a perda do centro de competências da Volvo, entretanto adquirida pela chinesa Geely, devido à elevada qualificação dos trabalhadores daquele construtor automóvel, o mesmo não se pode dizer sobre outros negócios em outros países. A francesa Danone, por exemplo, já se desfez de várias fábricas na Europa.
