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sábado, outubro 07, 2006

Meramente Errado

Se perguntarmos a uma adolescente o que "será Meramente Errado",ela responderá, que meramente errado será perguntar-lhe isso.
Quando mais me revejo nesta merda de cidade mais vontade tenho de correr ao meu mais interno Porto e gritar-lhe que não há nada como nos sentirmos tripeiros numa cidade de incompetentes,triste será o acordar, abrir as janelas e não ver nada,falarmos com pessoas e não aprendermos nada,sentarmo- nos num sofá e observarmos o nada,meramente errado é estar presente de corpo num sitio enquanto a nossa alma grita por ti MEU PORTO...

Regresso


Depois deste mês de descanso eis o meu regresso aos blogs.Este regresso vai ser notado pelo novo design, novas rúbricas e novo tipo de comentários que faço. Também terei outros conteudos e arrumados de forma diferente.Só não está já em funções por causa do "novo" blogger, pois estou à espera de uma das grandes novidades para poder utilizar o blog com o empenho que quero.Bons posts a todos.

terça-feira, setembro 19, 2006

Check-up blogosférico

A blogosfera é um espaço “camaleónico”, veste-se e pinta-se de acordo com a necessidade, conveniência, objectivo, tara e mania de cada um. Os autores de blogs podem mudar de estilo, de rumo, de tom sem pedir autorização. Não precisam dela, é verdade, mas acho que a maioria se alinha pela estabilidade do registo, até por uma questão de coerência e também de fidelização de leitores (parece conversa de Bancos e operadoras de telemóveis).Se pudéssemos observá-la do céu, a blogosfera seria uma imensa manta de retalhos, quadradinhos de posts, uma rede de layouts, para todos os gostos.Apesar de nada vender, e nada comprar, a blogosfera é também um mercado de palavras, algumas soltas, muito soltas, quase sem parentesco, outras que se transformam em textos de qualidade razoável, às vezes boa, e muito raramente excelente. Os que acho muito bons (falo dos posts), sinto até alguma vergonha por poder lê-los e não pagar nada. É que às vezes compram-se jornais e revistas com tanta porcaria, e editam-se livros sobre coisas que não lembram ao diabo, e pagamos por eles!? Também há o outro extremo, aqueles blogs (e seus posts amestrados) que nem que me pagassem eu lá voltava, porque são um espaço de depressão, de angústia e de pobreza de espírito. Chego a sentir tonturas e falta de ar.O meu blog serve, sobretudo, para poupar papel e caneta. Já tenho pouca paciência para escrevinhar em papéis, agendas e bloquinhos, e confesso também que a minha caligrafia se degrada a cada dia que passa (tenho pena!). E como cheguei à conclusão que o que escrevia podia interessar a uma ou duas pessoas, quem sabe meia dúzia, achei que não havia mal em abrir uma porta e colocar o reclamo luminoso.Acredito que a blogosfera está aí para ficar e que tomará formas cada vez mais complexas e diversas (se ainda é possível mais diversidade). No dia em que o encanto se quebrar, sairei como entrei, faça chuva ou faça sol, num recolhimento silencioso, e levarei o rasto cor-de-rosa comigo.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Está lá?

Estou pois.Estou mentalmente de férias.Estou fisicamente arrumadeira. Estou economicamente cigana.Estou psicologicamente anti-social.Estou ABSOLUTamente por aqui e por ali entretida com pequenas coisas e sabe-me bem.
**Cont...

PORTO


PORTO

A ponte é apenas

prostituta

Da oca ideia de ti,


Mas tu

Já não te mostras assim,

Tu és pedaço de sombra

e silêncio adivinhado


Num cimbalino a escaldar.


Tu és

Todos os bairros e ilhas,

A Foz e o Campo Alegre,

O Palácio e a Rotunda,

Todos os mártires da pátria,

O Infante, as Fontaínhas,

Sá da Bandeira, Bonfim,

Antas, Maia e Rio Tinto,

Gondomar e Matosinhos,

ou Vila Nova de Gaia.


Tu és mais meu ao nascer,

Serás mais meu ao morrer.


Mas afogado no Douro,

Agricultando-te esquinas,

Arando a pedra e a sombra,

Cultivando-te o mistério,


Vim da Ribeira para cima,

Perdendo o ar em Mouzinho,

E encostei-me às Cardosas

Para te olhar o focinho,


O tal salão de visitas,

Que os Aliados cederam

Ao Universo.


Ficas-me imerso

Na carne,

Ficas perverso

No sangue,

Fervendo o sal do sotaque,


Fazes doer a distância

Quando me afasto de ti,

E fico longe do verso,


Então, descolo do chão,

Embriago-me em calão,

Palavras largas, ovais,


E em Rabelo, a saudade

Vem ao poema lembrar


Que um “carago” dito assim,

Na ausência da cidade,

Põe um tripeiro a chorar.


Amamos a insultar.


Por isso, não há cicuta

Nem desvio de conduta,


Quando os comboios apitam

E em Campanhã te gritam


“Meu Porto filho da puta!”