Seguro-te a mão
e percorro o doce caminho da insanidade.
No caminho perfumo as árvores
e as flores das memórias que ainda
são tuas. Dispo o vestido
de linho branco. Cubro
a nudez com a palidez macia
dos meus braços.
Seguro-te o rosto com as mãos
imensamente cansadas e o corpo
vergado pelo peso
dos teus lábios ásperos.
O vestido de linho
envolve a árvore e a vida verde
que pulsa no encanto do tempo.
Tu envolves-me o coração
moribundo. Depositas em mim
as exigências de um abraço
demasiado longo.
O corpo vergado violenta-se
na magia da lua negra.
Esqueço-te a cada movimento,
a cada impulso,
a cada serenidade perturbada.
Esqueces-me.
