"Telefonei-te.
Mais uma vez, cega das (im)possibilidades.
Saber-te aí, num sítio qualquer, a beberes as tuas palavras, a embriagares-te de inutilidade, a tornares-te fútil, a arruinares o sentido das tuas memórias. Não aguento.
Não, não, não...
A repetição infantil dos meus próprios erros e fatalidades, puxar o teu nome da lista enquanto tento acalmar o corpo febril na cama vazia.
Trazer-te até mim.
Ouvir a tua voz embargada da emoção de seres tu, tão negro e errado e azul. E saberes que, aqui, eu me retorço na inevitabilidade da ressaca das tuas mãos na minha pele.
Dizer-te: diz que sou uma dasa pessoas mais importantes da tua vida...
Ouvir-te suspirar, abatido pela força da ausência de outras palavras que não estas: claro que és...
Saber e ouvir no silêncio que me mentes com um sorriso escarninho nos lábios.
Desligar e morrer mais uma vez no calor da noite muda.
Escrever numa folha de papel estéril a verdade da tua ausência. Da ausência de verdade em ti.
Do teu rosto esquálido no líquido do espelho que te mostra a inconsequência dos teus actos repetitivos."
