Um dia alguém me disse,
Nas nossas vidas cabem muitas outras,
tantas quantos os anos que vivemos.
Uma vida por cada vivido.
Comigo, nada poderia ser mais verdade.
Camaleão.
Se fosse um animal seria um camaleão.
Não por me confundir com o ambiente,
mas por me confundir comigo mesma.
São tantas pessoas cá dentro,
mesmo que sejamos apenas duas, que nos confundo.
Baralho a minha parte boa com o meu eu perverso.
Chegamos a nos encontrar por breves segundos.
Um olhar de relance no espelho e lá está ela,
a perversidade, num olhar que não reconheço...
Nunca se vai embora,
está apenas à espera de uma brecha para me dominar.
Um gesto no cabelo e ela surge.
Avassaladora, inconsequente, inesquecível.
Quem a provou ainda lhe sente o sabor na boca,
doce, com um travo de amargo.
P E R I G O
Domina-me, mas dá-me vislumbres da sua loucura.
Torna-me consciente durante míseros segundos,
o suficiente para que eu entre em pânico ou excitação.
Uma cara desconhecida, um amor conquistado.
Um beco escuro, o conforto de uma cama.
Sexo puro e duro, amor desconcertante.
O meu maior receio?
Perder a batalha

