Powered By Blogger

terça-feira, agosto 22, 2006

Escassa Vida

Olho para mim e vejo que já nada resta. O tempo passa e tudo acaba por se desfazer. Não interessa se recuo ou se avanço, porque seja o que for que eu faça já é tarde. Toco-me e já não me sinto. As estradas que percorri já não existem e as escolhas que fiz, agora, já não fazem mais sentido. Caminhei sempre cuidadosamente para que tudo o que, até à data, estava bem construído não se perdesse de repente. Caminhei cuidadosamente para que não houvessem lacunas e para que eu, no fim da minha vida, pudesse olhar para trás e sentir que tive Vida! Mas nada restou, apenas o vazio que se, talvez, tivesse esquecido o ‘politicamente correcto’; tivesse amado quem eu quis e quem me quis amar; tivesse percorrido caminhos ocultos na tentativa de alcançar os meus sonhos, talvez estivesse agora no meu rosto cheio de rugas um sorriso de sabedoria, de quem sabe o que é viver. E, se para saber o que é viver, eu tivesse que cair muitas vezes nos degraus da vida, então que caísse, pois logo me levantaria e, assim, ia aprendendo a viver para depois recordar, sorrir e para sempre adormecer.