quarta-feira, agosto 30, 2006
Medo...
Recuperei os sentidos... faltava-me o ar, o fogo rodeava-me e eu acordei num espaço onde o eco prolongava o som das chamas. O meu corpo estava exposto coberto por gotas de suor... um calor intenso sufocava-me ... Queria gritar mas a força da voz era muda, o medo acelerava o ritmo do corpo, a dança do pânico, acorrentada, imóvel... A dor do não saber, tomava conta do meu estado consciente, o impulso da libertação, deixava marcas carnais, lutava contra o inútil... Procurei no escuro, tentei ouvir... A sensação de não estar só perturbava-me, sentia-me observada, uma presa que caiu na armadilha... A barreira de fogo perdeu intensidade, no escuro surgiram diversos vultos... O medo paralisou os meus pensamentos, o som do meu coração ecoava em mim num compasso difícil de acompanhar .Vestiam capas negras e ocultavam o rosto com máscaras, a única expressão visível eram as bocas, de aspecto faminto, uma alcateia à espera da ordem superior...Senti vontade de chorar, estava entregue sem domínio...No meio dos vultos apareceu uma mulher nua de rosto escondido, trazia um frasco nas mãos. Lentamente veio até mim. Eu incrédula observava em gritos interiores... Colocou um dedo no liquido, espesso e amarelado, e delineou-me os lábios, sabia a mel. Logo de seguida verteu sobre a sua mão uma grande quantidade, olhou-me através do recorte da sua máscara, e barrou-me o corpo todo... massajou-me intensamente... os meus seios revelaram o quanto prazer estava a ter... Queria controlar-me mas ela dominou todos os meus impulsos... sabia onde tocar ... e masturbou-me até sentir o meu orgasmo... perdi-me extasiada e entreguei-me gemendo bem alto... Ela sussurrou “Agora estás pronta...”Afastou-se.... todos os vultos se aproximaram, começaram a tocar-me, um jogo de mãos, línguas famintas .... gritei de medo ou prazer... já não sei... Acordei...
